Sem título(35)

Não sou deste reino

Não sou deste mundo

O cavalo que me deram

Devolvi-o à liberdade

Sigo a estrada incerta

Deserta

Nada tenho

Nada sou

Troco-me por mim próprio

Troco-me sem valor algum


Dos sonhos que julguei sonhar

Todos me foram arredios

Eram já de outrem

Os sonhos por mim tentados

Pintei plágios

Nas noites de dormir

Se ousei chamar-lhes sonhos

Logo recusei a sua posse


Era pequeno o mundo

E todos os reinos

Coisas menores

Na minha sede de conquista

Até o meu amor

Reclamava mundos maiores

Para ser livre

Livre em qualquer tempo

Livre em qualquer espaço


Sigo agora como espectro

No caminho por todos evitado

Sigo sem destino

Sem riso

Sem lágrimas

Sem mágoas

Desnascendo a cada trôpego passo

Tropeçando nos restos de mim

Tombando em cada passo dado

Erguendo-me a cada queda

A morte sem glória

Mas a morte recebida de pé


Hoje mais não sou

Que simulacro de vida

Senhor de reino deserto

Habitante de um mundo vazio

Hoje dispo-me de prantos e gargalhadas

Desnudo-me de alegrias e tristezas

Desvendo inventados sonhos

Hoje posso ser já cadáver

Irremediavelmente morto

Irredutivelmente livre


Na esperança e no desespero

Na vida e na morte

Perpétuo condenado

Eterno amante

Nas asas da liberdade


Dionísio Dinis

 


 

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Tuesday, March 1, 2011 - 19:45

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Dionísio Dinis

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Um brado a liberdade

Um brado a liberdade !!!!

nada melhor do que ser livre e :

Hoje dispo-me de prantos e gargalhadas

Desnudo-me de alegrias e tristezas

Desvendo inventados sonhos

e rir toda loucura ....

Beijos

Susan

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