Ponto (quase) final
Dos meus olhos fui, por descuido, apagando as estrelas.
Sou hoje "naufrago do mundo".
Tenho a vida sem bússola,
à deriva...
Dos meus sonhos sobra só a rua
que vai dos mesmos
até aos olhos que já não me esperam.
Tenho ainda a lua cigana.
Mas sei que o mundo já não me espera.
Tenho ainda as aves que me voam das mãos...
Mas sei que o mundo já não me espera.
Tenho a casa aberta, o corpo ao vento,
a cabeça transborda.
Mas o mundo já não me espera,
Sei que o mundo já não me espera...
Bifurco-me,
divido-me,
multiplico-me...
Abro os braços,
Cheiro a abismo...
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Wednesday, December 31, 2008 - 18:06
Poesia :
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Comments
Re: Ponto (quase) final
Um poema escrito com alma!
:-)
Re: Ponto (quase) final
Ex-Ricardo,
Às vezes pomos-nos em fuga de algo que nem sabemos o que é, pode ser a existência, os nossos próprios rastros, o acaso, a vida, a morte... E aí está a grandeza das coisas infinitas do parecer ilimitado como o som, a imagem, a luz, a escuridão...
Seguir como seta sem rumo ao ar das adversidades, construir os próprios desafios e os artifícios para vencer o mesmo.
Abraços!
Alcantra
Re: Ponto (quase) final
A poesia espera-te.
O mundo espera sempre por nós.
Gostei,
Abraço
Re: Ponto (quase) final
Escreves ou "postas" tão pouco...a tua escrita é um abismo de prazer que dás ao leitor que te lê!
breizh
Re: Ponto (quase) final
"O pensamento é como a alma, eterno - a ação, como o corpo, é mortal."
(Gustave Flaubert)
Sinceramente adorei este escrito. Cheio de alma. Reflectivo, intenso. Abraços e já agora bom Ano.