Aquele homem que me impressionou...

Aquele homem, de estatura baixa, que cumprimentava com um aceno de cabeça ou um abano de mãos aos adultos e crianças.
Com os estudantes era sempre delicado, ao cruzar por eles na rua dava um sorriso, muitos não sabiam que ele era.
E ele nem sabia quem éramos, pois a multidão era muito grande, moças e rapazes, uniformes escolares diferentes, jalecos coloridos.
Seguia quase sempre o mesmo trajeto e visitava os mesmos cafés, conversava e pouco gesticulava.
Por vezes o vi passa cabisbaixo, pensativo sem olhar ou cumprimentar alguém, parecia preocupado ou talvez estivesse pensando e ou inspirado
Sempre de terno e gravata impecável cruzava a Rua da Praia elegante em busca dos cafés dos amigos e do bate papo, sempre à tardinha.
Os anos foram se passando e a velhice chegando, pouco o via, mas sempre olhava para ele em busca daquele comprimento alegre que agora não mais existia.
Ele não sabia quem eu era e nunca soube, mas eu o conhecia bem sabia, quem ele era, sabia de sua solidão de poeta e escritor.
Conhecia sua história e por vezes lendo seus poemas parecia conhecer-lhe a alma.
A última vez que o vi ele estava à janela de seu que quarto de hotel e eu na sacada do apartamento de parentes.
Olhei para ele e este não me olhou, estava atento ao movimento da rua, já lento estava sempre com um acompanhante.
Não me lembro bem mas ele morreria uns cinco anos depois, deste último dia em que o vi.
Nunca nos falamos, mas ele para mim em minha vida de estudante era um gênio.
São lembranças de uma estudante de Porto Alegre, do século passado.
Estas linhas que escrevo agora são recordações do passado de estudante e uma homenagem a Mario Quintana.
O maior poeta gaúcho que nunca foi agraciado com a Imortalidade da Academia Brasileira de Letras.
Quem ler há de pensar que foi uma injustiça, mas não foi, Mario Quintana, não precisava de títulos para ser Imortal.
Ele já era Imortal pela sua Obra sua sobriedade e dignidade.

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Lunes, Agosto 3, 2009 - 05:00

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Re: Aquele homem que me impressionou...

lindo amiga, também acho uma injustiça com nosso gênio poeta, sou fã dele.
beijos.
O primeiro livro que li foi o "urso com música na barriga".
Grande abraço, boa de verso e boa de prosa.

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