Vida breve...

Vida, sina, de Violeiro,
Vida breve, vida leve...

Já vais, companheiro,
Tens o estradão por testemunha, em terra de tenente.
Subindo ladeiras, outeiro.
Falando ao coração da gente

Fugindo do tiro certeiro
Tocando tua viola, arteiro.
Segue em frente
Cantando por tua gente

Lá vai, querendo teu povo levar
Teu caminho é longo e a espera é triste,
Mas somente pode alcançar
Quem carregar a paz, a verdade, ainda que te ponham o dedo em riste,

Vida, ainda que bastante lida,
Viola camarada, instrumento simbólico de outras batalhas,
de outros cantos que adormecem no chão, vidas esquecidas,
mas o canto e maior que a vida, supera a impostas mortalhas,

E o canto é geral,
Nas esquinas, no cortejo fúnebre,
mas a morte fatal,
antecipada, encomendada, lúgubre,

De repente, tua voz entoa os acordes
E a gente toda renasce do chão
Feito rebento germinado pela chuva do sertão
E o teu breve cantar, nossa voz contra os lordes

Vida amarga, blindagem, coletes, sem liberdade
Levaram-te pra tocaia, na sombra da impunidade
tua vida tomaram, ceifaram
mas na terra que defendes, outras vidas brotam

Se em nossa consciência,
a dor de tua perda, tua ausência,
possibilitar um grito de revolta,
que ecoe pais afora, teu canto volta...

Calam tua voz, mas não teu canto, violeiro.
 

AjAraújo presta homenagem, em 21/1/02, aos Prefeitos Daniel Antonio de Santo André, Toninho de Campinas e a outros anônimos brasileiros vítimas da escalada de violência e impunidade em nossa terra.

Violeiro simboliza aqueles que com seu canto amenizam o pranto de nossa sofrida gente, da literatura de cordel as cantorias de nossos dias.

Mas, para que seu canto não seja em vão, precisamos entoar seus cânticos para transformar esta indignação em um real processo de transformação em nosso pais.

Que formemos uma nação de violeiros, não de doleiros e alcoviteiros, que possamos emergir desta crise moral, com a afirmação dos princípios básicos da existência humana: justiça, tolerância e paz.

Temos que parar com esta história de dependermos de vítimas para acordarmos deste transe, desta hipnose coletiva, a inoperância, a permissividade, a impunidade, a corrupção imperam neste modelo de desigualdades que assola o nosso país, precisamos mudar sim, não e a toa que as vitimas são as pessoas que pregam e fazem algo diferente, como os companheiros prefeitos do PT, brutalmente assassinados.

Neste bárbaro crime, se apaga um pouco mais a essência vital, urge repensarmos esta sociedade de consumo e de interesses pessoais, de domínio absoluto do capital e dos bens materiais sobre os valores infinitos espirituais.
 

Submited by

Domingo, Mayo 8, 2011 - 23:43

Poesia :

Sin votos aún

AjAraujo

Imagen de AjAraujo
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 8 años 19 horas
Integró: 10/29/2009
Posts:
Points: 15584

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of AjAraujo

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Poetrix Poemas - de "Magma" (Guimarães Rosa) 2 31.108 06/11/2019 - 11:48 Portuguese
Videos/Musica Ave Maria - Schubert (Andre Rieu & Mirusia Louwerse) 1 61.395 06/11/2019 - 11:02 Inglés
Poesia/Fantasía Cabelos de fogo 0 12.991 04/28/2018 - 21:38 Portuguese
Poesia/Dedicada A criança dentro de ti 0 9.394 04/28/2018 - 21:20 Portuguese
Poesia/Pensamientos O porto espiritual 0 10.190 04/28/2018 - 21:00 Portuguese
Poesia/Dedicada Ano Novo (Ferreira Gullar) 1 9.604 02/20/2018 - 19:17 Portuguese
Prosas/Drama Os ninguéns (Eduardo Galeano) 0 15.913 12/31/2017 - 19:09 Portuguese
Poesia/Dedicada Passagem de ano (Carlos Drummond de Andrade) 0 10.777 12/31/2017 - 18:59 Portuguese
Prosas/Contos Um conto de dor e neve (AjAraujo) 0 17.051 12/20/2016 - 11:42 Portuguese
Prosas/Contos Conto de Natal (Rubem Braga) 0 16.554 12/20/2016 - 11:28 Portuguese
Prosas/Contos A mensagem na garrafa - conto de Natal (AjAraujo) 0 20.889 12/04/2016 - 13:46 Portuguese
Poesia/Intervención Educar não é... castigar (AjAraujo) 0 10.945 07/08/2016 - 00:54 Portuguese
Poesia/Intervención Dois Anjos (Gabriela Mistral) 0 12.314 08/04/2015 - 23:50 Portuguese
Poesia/Dedicada Fonte (Gabriela Mistral) 0 10.664 08/04/2015 - 22:58 Portuguese
Poesia/Meditación O Hino Cotidiano (Gabriela Mistral) 0 10.489 08/04/2015 - 22:52 Portuguese
Poesia/Pensamientos As portas não são obstáculos, mas diferentes passagens (Içami Tiba) 0 17.481 08/02/2015 - 23:48 Portuguese
Poesia/Dedicada Pétalas sobre o ataúde - a história de Pâmela (microconto) 0 16.105 03/30/2015 - 11:56 Portuguese
Poesia/Dedicada Ode para a rendição de uma infância perdida 0 13.044 03/30/2015 - 11:45 Portuguese
Poesia/Tristeza Entre luzes e penumbras 0 12.036 03/30/2015 - 11:39 Portuguese
Poesia/Tristeza No desfiladeiro 1 13.736 07/26/2014 - 00:09 Portuguese
Poesia/Intervención Sinais da história 0 10.384 07/17/2014 - 00:54 Portuguese
Poesia/Fantasía E você ainda acha pouco? 0 10.888 07/17/2014 - 00:51 Portuguese
Poesia/Aforismo Descanso eterno 2 13.588 07/03/2014 - 22:28 Portuguese
Poesia/Intervención Paisagem (Charles Baudelaire) 0 15.309 07/03/2014 - 03:16 Portuguese
Poesia/Meditación Elevação (Charles Baudelaire) 0 16.409 07/03/2014 - 03:05 Portuguese