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A Jóia - Ato Primeiro - Cena VIII
Cena VIII
Carvalho, só
- Se eu não fosse um covarde,
que bela ocasião para me por a andar...
(Pegando o chapéu,) Ainda não é tarde!
Nem um momento mais eu devo aqui ficar!
(Dispõe-se a sair, e para, olhando para a porta por onde entrou Valentina.)
Encerrou-se na alcova!
‘Stá soluçando a triste... o seu amor maldiz...
Oh! que eloqüente prova
de que ela me estremece e de que sou feliz!
(Colocando o chapéu sobre uma cadeira e o sobretudo nas costas da poltrona. Resoluto.)
Não! não sairei! Fico!...
Mas a colheita?... a safra? os filhos e a mulher?
Eu sou bastante rico
e posso demorar-me o tempo que quiser!
Fui sempre ótimo pai, fui ótimo marido:
é muito que um momento eu me esqueça de mim?
Hei de voltar melhor assim fortalecido...
Oh! maldito o momento em que a cidade vim!
(Pausa.) E se eu pilhado for coa boca na botija?
Não me posso entender!
Não sei para que lado os passos meu dirija!...
sou preso por ter cão e preso por não ter!
(Dirigindo-se à porta por onde saiu Valentina.)
Ela está mal comigo... as pazes fazer vamos...
Prometo dar-lhe a jóia; e, quando a vir, direi
que é muito cara... e tal... Depois nós combinamos!
E uma jóia barata então lhe comprarei...
(Ajoelha-se à porta.) Vamos lá... vamos lá... Meu anjo... Valentina...
dentre os soluços teus soluça o meu perdão
Não zangues-te, meu bem; não chores mais, menina...
Abre-me a porta, já... Vem cá, meu coração!
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Poesia Consagrada :
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