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Vultos

Assegurei-me que te sacudirias
Tão breve quanto a luz que nasce dos teus olhos
E sim, chegaste tão tu
Tão somente virgem e inalterável
E eu, fiquei a ouvir-te
Sentada no morro que me sufocava
Reorganizando-me
E concentrando-me
Nesse sonambulismo grotesco
Nessa masmorra sinuosa
Onde as ideias te sangravam a mente

Galguei muros, e imbui-me de foros novos
Mas não atingiste a verdade dos meus olhos
E caíste do alto
Como pedra acossando os lobos
E abalaste pelos matagais
Adentro de uma imensa conjuntura
Onde os momentos se declinam
Por verem um mundo inteiro a cair no vazio

Por fim assomaste-te o inverso da única certeza
Que há em nós
Militantes de uma guerra há tanto tempo esquecida

Mas eu não me evadi
Queria saber de ti
Entrar no teu círculo
Saber-te na tua fantástica viagem
Aos confins de um mundo
Que já foi teu
E que agora me queres doar
Sem dívidas a cobrar

Confundi as cores dos teus olhos
E não atingi a tua verdade
Aquela que rolava pela tua face rubra
De ódio contido onde os vultos se escondem

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quinta-feira, setembro 9, 2010 - 10:59

Poesia :

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ÔNIX

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Comentários

imagem de apsferreira

Re: Vultos

"Mas não atingiste a verdade dos meus olhos
E caíste do alto
Como pedra acossando os lobos
E abalaste pelos matagais
Adentro de uma imensa conjuntura
Onde os momentos se declinam
Por verem um mundo inteiro a cair no vazio"

Gostei muito de ler o poema.

:-)

imagem de Henrique

Re: Vultos

Assegurei-me que te sacudirias
Tão breve quanto a luz que nasce dos teus olhos...

E sim, chegaste tão tu...

Nessa masmorra sinuosa
Onde as ideias te sangravam a mente...

Galguei muros...

Mas eu não me evadi...

Aos confins de um mundo
Que já foi teu...

E não atingi a tua verdade...

Vultos se em sombra mas!!!

O encontro da alma ainda em procura de uma metade que não foi inteira!!!

Adorei este poema Ônix!!!

:-)

imagem de Alcantra

Re: Vultos

Há tempos não lia o sentimento que sua poesia escreve em mim.

Abraços,

Alcantra

imagem de MargaridaRibeiro

Re: Vultos

Nas palavras se tropeça, nas essências se erra. A percepção engana, a razão atordoa e nem sempre analisa bem...chegar à verdade do outro pode ser mais arduo que escalar Anapurna. E no entanto, não tentar é recusar experimentar.

Mesmo que a verdade no fim não seja mais que um vulto distante ou um fantasma de ódio.

imagem de Clarisse

Re: Vultos

Confundi as cores dos teus olhos
E não atingi a tua verdade
Aquela que rolava pela tua face rubra
De ódio contido onde os vultos se escondem

Querida poeta,
Creio que estes versos como que resumem todo o poema. A ilusão criada pelos nossos olhos, o mundo a cair no vazio, e a conclusão final, a lição. Para ler e viajar...
Beijinhos,
Clarisse

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