Entretanto, vicissitudes...
O drama enfeita a varanda da arte
A música contamina o ambiente
Até ser filtrada pela distância.
A chuva fina formou uma cortina à minha frente
Ruínas aparecem dum lado.
O mar silencia a cidade
As embarcações ficam sozinhas
Esperando o momento certo de levantar ferro.
Estou só e não sei se me veem...
Uma velha puxa o seu cachorro,
O cachorro puxa a sua velha.
Os jovens estão à mostra
Doidos por uma pitada de emoção,
Doidos para transformarem-se rapidamente em adultos
Para depois clamarem pela juventude novamente.
Existe antigo no novo,
Assim como existe também, novo no antigo.
Casas ambulantes se espremem nas ruas,
As ruas são escuras e choram movimento,
Interligam as vidas que não sabem sonharem sozinhas.
Os hotéis são refúgios:
Ocultam segredos num vai e vem incessante.
Estão matando o passado na orla
E gerando o futuro em atos promíscuos.
Vários dons são gerados pela cidade:
O Sexo tem o poder da persuasão.
A Política é uma criança que se vangloria,
Por usar da traição para conseguir um doce.
O Petróleo diz ser o messias do século XXI.
A Cultura é submissa e sempre se esconde por vergonha.
Neste ínterim...
A Literatura sofre agressões de um país alcoólatra.
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Re: Entretanto, vicissitudes...
O Sexo tem o poder da persuasão.
A Política é uma criança que se vangloria,
Por usar da traição para conseguir um doce.
O Petróleo diz ser o messias do século XXI.
A Cultura é submissa e sempre se esconde por vergonha.
Obrigatória é a reflexão sobre a tua escrita.
Gostei imenso
Abraço
Nuno
Re: Entretanto, vicissitudes...
Penso que não poderia haver remate mais perfeito.
É um mal comum a muitos paises... comum a muita literatura... assassinato da escrita...
Abraço.
Re: Entretanto, vicissitudes...
Alcantra,
Um poema social muito bem concebido e conseguido. O interesse pela literatura não faz parte dos conceitos de modernidade da vida cosmopolita. Outros interesses emergentes se levantam.
Beijo
Nanda
Re: Entretanto, vicissitudes...
A Cultura é submissa e sempre se esconde por vergonha onde o Sexo tem o poder da persuasão...
Entretanto, o Petróleo diz ser o Messias do século XXI.
Uma intervenção na orla presente numa pitada futurista e nada animadora!!!
:-)