Soterrada

Estou enterrada viva!
Tento gritar e o que entra em minha boca
É terra cheia de verme.

Eu me remexo,
Mas pra qualquer lugar que vou
Me tira todo o ar.

Quero ver a luz do sol
Mas o que toca em minha pele
É úmido e frio.

Eu quero sair de mim mesma
Pra ver se alguém me vê,
Mas é só um desejo
Que insiste em renascer
Cada vez que me desespero.

As pessoas que amo
Pisam sobre mim
Sem ao menos desconfiarem.

Desesperadamente me rebato
Naquela terra que ao mesmo tempo
Germina vida, me arranca a alma.

Não vou deixar que as raízes que ali estão
Tomem por si minhas veias
Vou beber a seiva da maior árvore
E sobreviver o quanto puder.
Farei cada segundo de minha existência
Ter sentido, mesmo que suja e imóvel.

Me torno escravo da terra que me acolhia
Terra essa que dá fruto e faz nascer a morte.
A esperança vai esvaindo
Toda vez que alguma flor vai crescendo
Eu vejo tudo por onde ninguém enxerga.

Meu coração no fundo sabe
Posso ser abandonada pela humanidade
Mas mesmo que ser algum me salve
O que importa está comigo
Eu sei que estou ali
E se eu tenho consciência
Eu tenho mais que um corpo.

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Tuesday, April 20, 2010 - 22:57

Ministério da Poesia :

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