FOGO EM SILÊNCIO
A palavra como água num poema em sede.
Eco em relâmpago. Carcomido em beijo de insónia.
O tempo em cascata no corpo.
Verbo ser insone,
em verso como pedra no fundo do rio.
O pensamento em derrocada. Em deserto.
A alma em voo, mendiga.
O olhar moído em pó. Desdito.
Mão reclusa em solidão, volteada em sopro,
desfalecida em escopro numa lápide de amor.
O grito como caderno, em letra derreada à ânsia.
O passo peugado em muralha,
os pés em tralha emocional. Vozeados.
Boleias sem rosto, sem velocidade.
Falas caladas. Fugidias.
Os lábios em vento,
a boca aberta em escuros,
a voz dita em saudade. Em pranto.
Os dias ondulados em mar revolto,
perdidos na tarde que não se faz acontecer.
O fogo em silêncio,
o ar escondido no pulmão do sonho. Díssono.
A ilusão em tinta desfocada,
subtraída à cor impensada. Frita.
O poeta imorto,
a escrita como caixão, em canção.
A sombra sem forma. Sem movimento.
A lua sem lugar, vadia, vaidosa.
A musa sem roupa, a rima louca. Rouca em aplauso.
A vida sem palco. Gasta.
Teatro sem plateia num poço de encalhos.
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Comments
Fogo...
Um mundo em extinção...
Há um novo tempo no mundo dos poetas...
Bj