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V – What a mess i leave run run

Não sei bem quantos dias se passaram

semanas talvez
duas três talvez
os dias iguais às noites
e as noites dessincronizadas em jetlags sincronizados a dançar a polka de pijama e cabelo desgrenhado alternado com breves saídas apenas para comprar tabaco café pão olá bom dia em tardes amenas de pessoas sorridentes com crianças pela mão e boas tardes em manhãs de perder o rumo e bater com slogans de we are closed esperar a abertura das portas beber café como se de um sonho mero sonho se tratasse a realidade suspensa o irreal as horas sem sentido e palavras ditas por dizer em nome da boa educação.

Voltou? que bom. há muito tempo que não a via. está bem? quer o habitual? ainda bebe café duplo e torrada aparada? até amanhã. obrigado. três maços de chesterfield se faz favor. quanto é? gosto em vê-la. até logo adeusinho.

Adeusinho inho de pequenino ou de simpatia? cafezinho tabaquinho viciozinho obrigadinho. ora merda para tudo isso. adeus adeus. sorrisinhos amarelinhos. adeus adeus. e a vida é isto uma sucessão de olás e adeus é isto.

Voltava a casa pelo caminho de sempre os meus passos calcados no passeio a saberem de cor o rumo fosse tudo assim saber o rumo assim automatizado o rumo ao lar ao conforto ao imutável da vida quando tudo muda nada muda nós mudamos mudei o pijama mudou foi mudando em peças soltas também elas dessincronizadas como a minha mente. ligar a cafeteira abrir novo maço acender um cigarro ligar a aparelhagem escolher Tindersticks Madrugada ou Sylvian intercalado com Daughter em dias de aparente recover da recaída ou tardes de recaídas a sair do estertor.
 
you better run run run dizia ela novamente o eco e o eco e o repeat.

 

Que queres tu dizer correr para onde correr correr corri estou aqui para onde vou não sei não tenho onde ir fico vou ficar tiro mais um café sento-me no sofá virado para a janela olhar fixo nas flores brancas da árvore da frente fosse tudo tão simples assim como a natureza assim aparentemente em paz de si para si como aquelas belas sonatas perfeitas de Mozart ou Bethoveen que tantas vezes me agitavam no compasso descompassado do meu peito daquele órgão no meu peito que desconfio que ainda lá está a morrer no negrume dos dias iguais a noites silenciosas abafadas no nevoeiro dos cigarros fumados um atrás do outro e pílulas da felicidade prescritas pelos senhores doutores em conselhos de para quando se sentir tensa ou ansiosa ou agitada ou... assim sendo seguia atenciosamente as indicações como a menina bem comportada que sempre fui e tomava um e outro e talvez mais outro e perdia a conta.

Uma manhã ou tarde não sei bem já não sei mas sai por necessidade era a única alternativa forma de sair necessidades básicas semi-básicas anti-básicas - tabaco café pão - nesse dia um chocolate também e sentia-me particularmente densa a sentir demasiado a sentir incomensuravelmente insuportavelmente o peso de mim sem peso olheiras em riste a cumprimentarem caras conhecidas de vista de sempre dos mesmos sítios de sempre a estrada carros não vi pensei em ti e nela e em ti e nela e no que não dissemos e no voltar as costas a imagem da minha vida a prostituta da imagem que me acompanha como sombra tantas vezes demasiadas vezes o adeus e contigo outra vez a sombra a seguir-me acompanhar os meus passos os olhares de soslaio ao espelho e no reflexo da cafeteira a aquecer a água do café.

Sabes nunca fui boa em despedidas detesto despedidas nunca te disse ou disse?

O adeus e as costas voltadas o olhar que se cruza pela última vez o beijo o abraço e o virar as costas ver o outro a seguir caminho de costas para nós para longe de nós ir ir e ficamos vamos ficando um pouco mais cada vez mais e de cada vez morremos um pouco mais.

O carro preto polido num buzinão desconcertante e um salto para a frente como uma gazela assustada corri por pouco por pouco ia-me apanhando virei a cara já no passeio a repreensão visível a olho nú e uma camisa branca num corpo moreno cabelo já meio grisalho - lá está o meio como outra marca desta minha vida será que existem meios adeus ou o nosso adeus foi meio cortado ao meio cortei corri - visão da semana e salvação do eu.

Ao espelho ousei olhar-me longamente languidamente com cigarro sem cigarro acende outro acendi prometi voltar a lutar por mim viver largar os dias de pijama e degredo a vida a passar a catarse do nada. um chá um telefonema um email um café dois comprimidos da felicidade deitei-me.

“Voltei a casa, à mesma de sempre, a das cortinas creme esvoaçantes e odor a jasmim.
Amanhã pelas 16h vou estar no tal café – o nosso - dos bancos que giram e rangem, onde partilhámos gargalhadas insólitas de tardes de Verão e caipirinhas de perder a cabeça.
Espero-te.
Um beijo. Diana.”
 
What a mess i leave to follow through disse ela às quarto da manhã em sintonia de velas acesas e sons abafados pelas teclas ásperas do portátil antigo i sometimes wish i have stayed inside my mother never to come out.

 


InesG
(Nota: Capítulo quinto como parte de um romance que escrevi, ainda não publicado)

 

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domingo, junho 2, 2013 - 22:01

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