MÃOS COMO NAUS À DERIVA SEM VENTO

Escutar que me cega,
lira que me agrega à bonomia do tempo.
Silêncio como culpa que me acusa silvestre.

Em dor. Javali solitário
por entre os matagais das palavras.
Vésperas como vespas contumazes no ar.

Perfeitas como cobras
que mordem o pulso da poesia
cujo veneno insinua a alma pelas fragas.

Merengue que zela ermo.
Grito à nora pelo gelo que me alveja
de mãos juntas como berço feito de pragas.

Saudade que me queda,
que me tende desagasalhado pelo inverno
que se tomba triturado a meu lado como solidão.

Os olhos como janela fechada.
O corpo atirado ao charco das minhas lágrimas.
Os lábios cerrados num gesto sem beijo que me cale.

Lobo sem luar onde uivar.
O sorriso em caos dentro de mim.
As minhas mãos como naus à deriva sem vento.

As horas presas
na teia das suas próprias voltas.
O calendário em quebra pelo poço da noite.

Sinto pedra a minha alma nesse mar
de cepos que esperam o pescoço da minha voz.
Sangue de carrasca sombra em borrasca que me afoga.

Queixume que me afaga o passo,
maré de nada que me enrola à luz do rosto
qual imagem de areia bravia a tempestade desnude.

 

 

Submited by

Jueves, Noviembre 17, 2011 - 16:18

Poesia :

Su voto: Nada (5 votos)

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 11 años 11 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Pensamientos DA POESIA 1 15.838 05/26/2020 - 23:50 Portuguese
Videos/Otros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 62.201 06/11/2019 - 09:39 Portuguese
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 15.042 03/06/2018 - 21:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 16.016 02/28/2018 - 17:42 Portuguese
Poesia/Pensamientos APALPOS INTERMITENTES 0 15.739 02/10/2015 - 22:50 Portuguese
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 16.961 02/03/2015 - 20:08 Portuguese
Poesia/Pensamientos ISENTO DE AMAR 0 13.177 02/02/2015 - 21:08 Portuguese
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 17.872 02/01/2015 - 22:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos PELO TEMPO 0 14.628 01/31/2015 - 21:34 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO AMOR 0 13.255 01/30/2015 - 21:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SENTIMENTO 0 16.212 01/29/2015 - 22:55 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO PENSAMENTO 0 19.398 01/29/2015 - 19:53 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SONHO 0 14.875 01/29/2015 - 01:04 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SILÊNCIO 0 13.322 01/29/2015 - 00:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos DA CALMA 0 14.737 01/28/2015 - 21:27 Portuguese
Poesia/Pensamientos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 10.742 01/27/2015 - 22:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 17.036 01/27/2015 - 16:59 Portuguese
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 14.164 01/26/2015 - 20:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 14.189 01/25/2015 - 22:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos MIGALHAS DE SAUDADE 0 15.798 01/22/2015 - 22:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 12.834 01/21/2015 - 18:00 Portuguese
Poesia/Pensamientos PALAVRAS À LUPA 0 10.961 01/20/2015 - 19:38 Portuguese
Poesia/Pensamientos MADRESSILVA 0 11.458 01/19/2015 - 21:07 Portuguese
Poesia/Pensamientos NA SOLIDÃO 0 14.855 01/17/2015 - 23:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos LÁPIS DE SER 0 16.035 01/16/2015 - 20:47 Portuguese