ESFEROGRÁFICA DE CHUVA

Sensação vulnerável,
irrealidade desenraizada do inconcebível.

Infinito profundo,
absurdo imundo… imperativo sem identidade.

Numa porta fechada a vida inteira inabitável.

Tatuagem monogâmica,
olhar que se desmorona pelo rosto do tempo.

Voz náufraga,
terramoto de lugares vazios.
Cálice de sede em murmúrio desesperado.

Ombro que ilumina,
umbral esganiçado que assassina as lágrimas.

Lamechas franzinas,
canção que morde o fundo do mar
como silêncio que solidifica em pedra o espírito.

Árvore despedida
em nudez magra que decora o relógio
com memórias estouvadas por ventos de Outono.

Redor que sem dono acorda a dormir,
sono como caixinha forrada de insónias.

Esferográfica de chuva a escrever
o perfume do ar pelo chão de um poema desfigurado.

Palavra em cor que pinta
a metamorfose do nada na hora como jangada
à deriva pelo rio da noite que a lua bebe em açoite triste.

Tela onde nada existe além das rugas
de curva em riste a pontapear os carrosséis do corpo.

Saudade…

 

 

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Sábado, Diciembre 10, 2011 - 01:08

Poesia :

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Henrique

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