RUMAR OS SONOS À MADRUGADA …

Recuso a eternidade.

Não quero ir para casa
antes de todas as horas passarem.
Sequência desmaiada sobre silêncio nítido.

Por lá me desaparece o passo sem ar.
Por lá de amor me faço amar.
Por lá me desgraço voltar.

Existência nula… sangue que pula sofrer.
Angústia nua… tido tudo sido por ser.
Esférula lua… ido nada acontecer.

Sei ao que sabe o saber que vê.
Que quase acredita que ilude.
Cicatriz que me desnude.

Sei saber o saber que sente.
Que quase mente.
Que grita!

Sei-me só… insónia gambérria.
Pensamento exacto… murmúrio hermenêutico.
Abstracto condizente… coisa perdida espontaneamente.

Reencontrar-me.
Reconhecer-me neste dar-me.

À vez do tempo… fingimento epílogo.
À imaginação…  furtivamente litografado.
Ao momento… reiteradamente fado incipiente.

Ser através da alma um corpo perfeito de gente.
Ossada encarnada a eito de carne vivente.
Ser como poesia de leito expoente.

Atiçar as lâmpadas.
Desancorar as âncoras.
Rumar os sonos à madrugada.

.
.
.
.

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Domingo, Abril 22, 2012 - 22:11

Poesia :

Su voto: Nada (2 votos)

Henrique

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Comentarios

Imagen de deborabenvenuti

Rumar os sonos

Não quero ir para casa
antes de todas as horas passarem.
Sequência desmaiada sobre silêncio nítido.

Por lá me desaparece o passo sem ar.

Gostei muito.

O silêncio grita todos os sons que já foram ouvidos na madrugada do teu próprio eu.

Beijo

Imagen de mariamateus

...............

Por lá me desaparece o passo sem ar.
Por lá de amor me faço amar.
Por lá me desgraço voltar.

Perfeito!!!!!

Gostei, de te reler...........

Abracinho forte:)

Imagen de KeilaPatricia

Gostei... Abraços :)

Gostei...

Abraços

:)

Imagen de unapoetisa

Eis a essência da vida:

Eis a essência da vida: "saborear hora a hora"...

Como tu iniciastes:

"Não quero ir para casa
antes de todas as horas passarem."

Bjs

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