Cumpro com rigor a derrota

Será minha a minha vida ou roubada
A outros, às sombras, o destino que
Me é dado acreditar e me cabe por
Direito, cumpro com rigor a derrota,
Sigo o resto que a maré deixa de lodo e
Sargaço na areia assim os meus sapatos
E o musgo em carpete sob meus passos,
Que o não os sinto nem ligam meus pés
Ao sub-mundo que me consente apenas
Passadas pequenas em minúsculas, rústicas
Pernas, inútil vida de sombras eternas
Roubados os mortos, perpétuos e terrenos,
Será minha a minha vida ou é simples cinza
Doutras vidas e de quem já viveu e a
Água do meu lavatório, sangue e urina
Que Orpheu verteu no covil do Demor-
-Gorgon. Diz-se que depois de extinta
A cinza não gera fogo e a Acácia não
Floresce de novo em tom amarelo sem
Repousarem um inverno e as folhas, troncos
Nus e despidos, áridos como a minha paixão,
Ardido meu peito e a crença que não sou eu,
Nem me conheço, sendo minha a vida
Esta não me foi dada, sou um arremedo
De outras, idas numa sucessão de sombras
Tão sombrias quanto o escultor cego e surdo,
Que as talhou num panteão que não é meu,
Num poço profundo, longe dos crentes,
De todos e de tudo, não longe do “cu-do-céu”,
Cumpro com rigor a derrota espiritual, digo adeus,
Como cada homem que a vida deixa no caudal
Dum rio sem barca, num mar sem margem …
Joel Matos ( 05 Dezembro 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 6930 reads
Add comment
other contents of Joel
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/General | Nunca tive facilidade de agradecer nad'a ninguém | 39 | 100.866 | 01/26/2026 - 16:34 | Portuguese | |
| Poesia/General | Tesoureiros da luz, | 678 | 28.691 | 01/20/2026 - 16:14 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | A sismologia nos símios | 3 | 6.687 | 01/20/2026 - 09:40 | Portuguese | |
| Poesia/General | Cumpro com rigor a derrota | 4 | 6.930 | 01/20/2026 - 09:38 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Cuido que não sei, | 180 | 212.016 | 01/18/2026 - 12:47 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Minha alma é um lego | 512 | 86.017 | 01/18/2026 - 12:44 | Portuguese | |
| Poesia/General | - Papoila é nome de guerra - | 364 | 67.976 | 01/18/2026 - 12:42 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O mar que não tem a Lua ... | 289 | 236.734 | 01/12/2026 - 11:09 | Portuguese | |
| Poesia/General | A ilusão do Salmão ... | 545 | 318.803 | 01/12/2026 - 10:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Hino ao amanhã | 100 | 173.760 | 01/09/2026 - 10:04 | Portuguese | |
| Poesia/General | Da significação aos sonhos ... | 2 | 5.869 | 01/06/2026 - 09:17 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Pedra, tesoura ou papel..."Do que era certo" | 2 | 12.585 | 01/05/2026 - 09:52 | Portuguese | |
| Poesia/General | Deus Ex-Machina, “Anima Vili” ... | 13 | 8.324 | 01/04/2026 - 20:13 | Portuguese | |
| Poesia/General | leve | 25 | 8.050 | 01/04/2026 - 13:16 | Portuguese | |
| Poesia/General | Sou minha própria imagem, | 24 | 6.580 | 01/04/2026 - 13:15 | Portuguese | |
| Poesia/General | Feliz como poucos … | 23 | 5.234 | 01/04/2026 - 13:14 | Portuguese | |
| Poesia/General | A tenaz negação do eu, | 19 | 4.982 | 01/02/2026 - 20:33 | Portuguese | |
| Poesia/General | “Mea Culpa” | 31 | 3.867 | 01/02/2026 - 12:21 | Portuguese | |
| Poesia/General | Não entortem meu sorriso, | 20 | 6.384 | 01/02/2026 - 11:22 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Restolho Ardido… | 21 | 5.610 | 01/02/2026 - 11:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Incêndio é uma palavra galga | 15 | 4.017 | 01/02/2026 - 11:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Eis a Glande | 15 | 5.850 | 01/02/2026 - 11:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Do avesso | 25 | 4.114 | 12/31/2025 - 12:47 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | “Hannibal ad Portus” | 14 | 4.650 | 12/30/2025 - 10:06 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Doa a quem doa, o doer … | 67 | 5.077 | 12/30/2025 - 10:04 | Portuguese |






Comentarios
Trás dos espelhos, (inédito)
Máscaras que usamos,
Não só pra jogos,
Nós que de espelhos
Trememos, tememos
Olhar além deles
caretas vivas,
Gente real que s'esconde
Trás dos espelhos,
Baix'dos panos
Nos campos, nos montes
Nos silvedos
J.S.(inédito)
Será minha a minha vida ou
Será minha a minha vida ou roubada
A outros, às sombras, o destino que
Me é dado acreditar e me cabe por
Direito, cumpro com rigor a derrota,
Sigo o resto que a maré deixa de lodo e
Sargaço na areia assim os meus sapatos
E o musgo em carpete sob meus passos,
Que o não os sinto nem ligam meus pés
Ao sub-mundo que me consente apenas
Passadas pequenas em minúsculas, rústicas
Pernas, inútil vida de sombras eternas
Roubados os mortos, perpétuos e terrenos,
Será minha a minha vida ou é simples cinza
Doutras vidas e de quem já viveu e a
Água do meu lavatório, sangue e urina
Que Orpheu verteu no covil do Demor-
-Gorgon. Diz-se que depois de extinta
A cinza não gera fogo e a Acácia não
Floresce de novo em tom amarelo sem
Repousarem um inverno e as folhas, troncos
Nus e despidos, áridos como a minha paixão,
Ardido meu peito e a crença que não sou eu,
Nem me conheço, sendo minha a vida
Esta não me foi dada, sou um arremedo
De outras, idas numa sucessão de sombras
Tão sombrias quanto o escultor cego e surdo,
Que as talhou num panteão que não é meu,
Num poço profundo, longe dos crentes,
De todos e de tudo, não longe do “cu-do-céu”,
Cumpro com rigor a derrota espiritual, digo adeus,
Como cada homem que a vida deixa no caudal
Dum rio sem barca, num mar sem margem …
Joel Matos ( 05 Dezembro 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
Será minha a minha vida ou
Será minha a minha vida ou roubada
A outros, às sombras, o destino que
Me é dado acreditar e me cabe por
Direito, cumpro com rigor a derrota,
Sigo o resto que a maré deixa de lodo e
Sargaço na areia assim os meus sapatos
E o musgo em carpete sob meus passos,
Que o não os sinto nem ligam meus pés
Ao sub-mundo que me consente apenas
Passadas pequenas em minúsculas, rústicas
Pernas, inútil vida de sombras eternas
Roubados os mortos, perpétuos e terrenos,
Será minha a minha vida ou é simples cinza
Doutras vidas e de quem já viveu e a
Água do meu lavatório, sangue e urina
Que Orpheu verteu no covil do Demor-
-Gorgon. Diz-se que depois de extinta
A cinza não gera fogo e a Acácia não
Floresce de novo em tom amarelo sem
Repousarem um inverno e as folhas, troncos
Nus e despidos, áridos como a minha paixão,
Ardido meu peito e a crença que não sou eu,
Nem me conheço, sendo minha a vida
Esta não me foi dada, sou um arremedo
De outras, idas numa sucessão de sombras
Tão sombrias quanto o escultor cego e surdo,
Que as talhou num panteão que não é meu,
Num poço profundo, longe dos crentes,
De todos e de tudo, não longe do “cu-do-céu”,
Cumpro com rigor a derrota espiritual, digo adeus,
Como cada homem que a vida deixa no caudal
Dum rio sem barca, num mar sem margem …
Joel Matos ( 05 Dezembro 2020)
http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
obrigado pela leitura e pela partilha
obrigado pela leitura e pela partilha