À BEIRA DA ESTRADA QUE A LÁGRIMA ESCONDE


Por detrás do tempo, o silêncio.

O suspiro em manto de asas feridas.

Depois do tempo,
a cura sara a incerteza
dos olhos sem fôlego para duvidar.

Por detrás do corpo, a alma.

Voa sadia sobre desejos que nos beijam à toa.

Depois do corpo,
emoções fazem-se sentir
enigmáticas em busca de mais e mais.

Por detrás da voz, as promessas.

Afagos sem trampolim
caem em caudais no nó da ilusão.

Depois da voz,
palavras distorcidas
queimam véus de água turva.

Ventos que enlodam o céu com desgosto.

Por detrás da vida, as flores.

Nascem selvagens,
crescem em aragens apaixonadas,
morrem à beira da estrada que a lágrima esconde.

Depois da vida,
murcham memórias paradas
nos rascunhos da paisagem emudecida adeus.

Por detrás da poesia, os poetas.

Apregoam sentimentos
desabafados em abafo escuro carrasco.

Depois da poesia,
musas rasgam a luz que se estende
nos lábios canção escrita em sorriso.

Por detrás do sonho, a realidade.

Desmaiada no picotado
de um mapa esquecido nas rugas das mãos.

Depois do sonho,
passos curtos mastigam pesadelos
que acordam gelos na plateia ao sol que respiramos.
 

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Martes, Enero 25, 2011 - 00:06

Poesia :

Su voto: Nada (2 votos)

Henrique

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Comentarios

Imagen de Quimeras

À beira da estrada

A cadeia de palavras traça uma linha no espaço e no tempo, detendo-se nos seus possíveis significados, numa simbiose perfeita entre corpo e sentimentos, feitos poesia. Uma cordilheira desfeita num vale onde floresce o sonho.

Apetece ler... 

Quimeras

Imagen de Odete Ferreira

À Beira da estrada...

Fabuloso na originalidade, Henrique...

Iniciando com uma frase de mote, desenvolves de forma perfeitamente à l´envers, como dizem os franceses. Reinventas o lugar das palavras, o seu significado...

Fico sempre a "mastigar" o que li.

Bjo

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