LABAREDA ONDE FUI CINZA


Quando te faço chorar,
uma rosa morre. Nenhum rio corre.

Quando te entristeço,
o céu é um vidro quebrado,
um espelho desfocado no meu corpo.

O meu rosto fica uma cicatriz por todo o lado.

A dor que te causo,
faz de mim uma nuvem negra sem lugar,
um vento sem sopro nem momentos para contar.

O meu coração toa tons de pedra
porque não te soube amar.

Falei a saudade
que inventei para te fazer sorrir.

Enganei a mim a mim próprio,
hoje dói-me esse mentir.

Continuo a sonhar,
escondo o meu sentir onde tu não estás
para que ele te tacteie a alma e o sintas arder.

Com tanto ainda por dizer,
procuro agora no meu vazio essa fogueira
que te queimava sem eu saber, labareda onde fui cinza.

Quero que voltes,
fiquei a chorar o que me ri quando partiste.

Imploro que voltes,
seca-me os olhos desta lágrima
que se esqueceu de ti triste, ainda existes.

Sem ti, a fantasia
é uma muralha que me esmaga a voz.

Desde que partiste,
fiquei partido em dois no poema que éramos nós.

 

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Lunes, Junio 20, 2011 - 18:33

Poesia :

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Henrique

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Comentarios

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Fiquei partido no poema

Ousar dar a conhecer um sofrimento causado, mesclado de arrependimento, pedindo um regresso, é um acto corajoso, sendo que, antes havia o poema por inteiro, a cumplicidade que só existe, pelo menos havendo  dois...

Gostei imenso, Henrique

BJo

Imagen de vitor

... seca-me os olhos desta

... seca-me os olhos desta lágrima
que se esqueceu de ti triste, ainda existes.

Caramba!
Foi o poema triste
Mais belo que alguma vez li.
Conseguiste emocionar-me.

Um abraço amigo.

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