NA TERRA DA MORTE NÃO SEREI FANTASMA DE NINGUÉM


Agora que o voar é incerto, sou deserto.

Eu que outrora era feito de carne,
agora defeito de sonhos.

O céu deixou de ser inesperado,
o corpo já não esperado, é desesperado.

A terra já não está assim tão longe do meu passo.

Ainda em flor,
não serei a sombra de ninguém.

Ainda na fonte,
não matarei as sedes a ninguém.

Sou nuvem, a fome de alguém
que do meu perfume fez a sua espiga.

Que no meu corpo deitou a sua idade.

Dos meus olhos cantou o seu espinho.
Que dos meus lábios fez a sua tempestade.
Alguém que pôs na minha boca hálitos de adeus.

Em palácios feitos de nada,
desmoronou-se o passado, demorou-se passar.

O espelho foi-se mendigo de imagens antigas,
cantigas que já não merecem moeda.

A madrugada foi arbusto de olhos soslaios,
esplanada em parentesco com pássaros paios.

Agora ilusão, fogo último.

De todos os astros é o amor o meu sol.

De todas as pedras sou eu o meu obstáculo.

De tudo sou eu nada.

Depois na terra da morte,
não serei fantasma de ninguém.

 

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Martes, Junio 21, 2011 - 17:12

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Henrique

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