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QUAL MORTO MURMURE O SILÊNCIO


Ruas nuas,
desprovidas de sentido.

Como calvário
de palavras condenadas ao cárcere.

Tempo em purgatório
que a ninguém pertence.

Voz em arrasto mudo
pelo pó de um tapete inóspito
de rochas encrespadas de bafos frios.

Luz que sai da boca em grito,
soleira que cai sobre o peito em dor.

O sol como vulto andante ébrio.

O vento como um menino escondido
num armário de memórias sem brinquedos.

Medos num sopro tão triste
que se pode ouvir nele todos os choros do mundo.

Os dias dormem.

Assim como os mortos dormem
à espera de um dia voltarem à vida.

A lua não fala
qual morto murmure o silêncio.

Assim o poeta caminha em ruas nuas.
 

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terça-feira, julho 5, 2011 - 17:29

Poesia :

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Henrique

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Comentários

imagem de MariaButterfly

Assim o poeta caminha em ruas

Assim o poeta caminha em ruas nuas.

 

Gostei de todo o teu poema,
Mas última frase é como um todo(do poema)

E assim é o poeta, que sonha, chora, grita, sorri.
Sempre em busca, de “qualquer coisa perdida “

Beijo
 

imagem de Adolfo

Um vazio preenchido de diferentessentidos: eis o que somos.

Cara, eu não sei... Um vazio sobre o qual tanto já escrevi e ainda assim não comprrendo... É como se todos nós, poetas, levássemos dentro de nós uma crise existencial... Não sei... Poema de uma forma fria e angustiante perfeito.

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