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QUANDO MORRER LEVAREI PÃO E PRESUNTO


Tenho o pé como cunha
na terra que me há-de comer.

Mas quando a morte me levar
nesse colo de foices em passo de badalo
qual raio violeta seja a página cemitério dos ateus.

Quando partir para essa desventura
de fumo e sinos empenados.

Levarei pão e presunto
nos bolsos do meu riso de papoilas arco-íris.

Pois o que sobrará de mim
não saciará a fome a um micróbio
quanto mais a essa boca de sete palmos.

De mim herdará o meu pó
em espirro gasto pelas esquinas da vida.

Deste corpo
restará a carne que a alma não quis rilhar,
o sangue que a sede do beijo do coração não quis beber.

A vida é como uma cavilha
que o corpo prega diagonal no tronco do tempo.

Os olhos como marreta
nessa cabeça de ressacas lontras.

As mãos como toupeiras bombeiras
em rescaldo de fogos ardidos.

Mas será a alma a nuvem
que o vento do destino levará para o paraíso.

Essa praia de vinho e chocolate,
salão de danças eternas.

 

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sexta-feira, junho 24, 2011 - 14:19

Poesia :

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Henrique

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