As esquinas do século vinte e um

Todas as esquinas oferecem um perigo iminente
Você nunca sabe o que pode encontrar
Assim que cruzar o limiar do desconhecido
Suas sombras adormecidas podem ser despertas
E monstros serem libertos de suas prisões.

Velhos mortos estão espalhados pelo tempo
Eu até tenho o meu roteiro preparado
Mas não posso desenvolver sozinho
Se nem todo dia posso ouvir uma sintonia
Nem mesmo uma melodia barata nas vielas.

Choramos lágrimas de festim para disfarçar
Transbordamos fantasias para esconder
Um pequeno circo se forma nas penumbras
Onde artistas maquiados pedem aplausos
Quando existe apenas vaidade refletida nos olhos.

Ninguém se importa com a nossa maturidade
Quando todos estão envolvidos em seus segredos
Nada existe debaixo dos seus olhos
Se máscaras tentam cobrir todas as cicatrizes
Talvez nunca venhamos a saber a história.

Onde estão todas as crianças perdidas?
O perigo do talvez nunca está com os adultos
Apenas o sorriso de um gato invisível
Pode entregar as atrocidades que se fazem
Nos gramados esverdeados e jardins floridos.

Por que um poeta triste deveria se importar
Com a mácula de mente juvenis sem direção?
Por que deveria gritar em seus versos políticos
Brados de advertências contra esses corruptos
Lobos vestidos de ovelhas entre nós?

Todas as esquinas do século vinte e um
Escancaram o seu trágico recado de alerta
Em algum canto escuro por ai
Almas inocentes estão sendo devoradas
Pelos monstros por trás de figuras públicas.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

Submited by

Sunday, November 5, 2023 - 12:54

Poesia :

No votes yet

Odairjsilva

Odairjsilva's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 3 days 16 hours ago
Joined: 04/07/2009
Posts:
Points: 22084

Comments

Odairjsilva's picture

Visitem os

Odairjsilva's picture

Visitem os

Odairjsilva's picture

Visitem os

Odairjsilva's picture

Visitem os

Odairjsilva's picture

Visitem os

Add comment

Login to post comments

other contents of Odairjsilva

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia/Meditation No vai e vem das calçadas 7 82 04/26/2026 - 14:44 Portuguese
Poesia/Joy Um milagre estar aqui 7 210 04/26/2026 - 14:28 Portuguese
Poesia/Disillusion Talvez eu nunca mais a veja 7 341 04/26/2026 - 14:24 Portuguese
Poesia/Dedicated Princesinha 7 402 04/19/2026 - 14:00 Portuguese
Poesia/Thoughts Apologia ao conhecimento VII 7 518 04/17/2026 - 17:46 Portuguese
Poesia/Love Se eu amo você 7 309 04/17/2026 - 17:39 Portuguese
Poesia/Love Meu silêncio 7 283 04/17/2026 - 17:35 Portuguese
Poesia/Meditation Tudo é silêncio aqui 7 187 04/14/2026 - 23:39 Portuguese
Poesia/Meditation Brincando com o limite 7 246 04/14/2026 - 23:35 Portuguese
Poesia/Thoughts Apologia ao conhecimento VI 7 385 04/14/2026 - 23:21 Portuguese
Poesia/Meditation Universo em versos 7 244 04/13/2026 - 19:13 Portuguese
Poesia/Intervention Política brasileira 7 195 04/13/2026 - 19:08 Portuguese
Poesia/Love Essa delicada vertigem 7 151 04/13/2026 - 19:04 Portuguese
Poesia/Joy Um breve clarão entre dois mistérios 7 350 04/10/2026 - 19:10 Portuguese
Poesia/Thoughts Pensamentos devorados pela noite 7 594 04/04/2026 - 14:33 Portuguese
Poesia/Thoughts Apologia ao conhecimento V 7 565 04/02/2026 - 12:13 Portuguese
Poesia/Intervention Capitalismo religioso 7 391 03/30/2026 - 19:12 Portuguese
Poesia/Disillusion Distante, não ausente 7 872 03/29/2026 - 14:10 Portuguese
Poesia/Meditation Passado mal resolvido 7 848 03/28/2026 - 00:22 Portuguese
Poesia/Disillusion Se a ausência dói 7 565 03/27/2026 - 19:16 Portuguese
Poesia/Love Essa morada indomável 7 555 03/27/2026 - 11:27 Portuguese
Poesia/Thoughts Apologia ao conhecimento IV 7 751 03/24/2026 - 21:03 Portuguese
Poesia/Dedicated Pantanal 7 231 03/24/2026 - 20:58 Portuguese
Poesia/Meditation Não tenho tempo a perder 7 494 03/24/2026 - 20:52 Portuguese
Poesia/Meditation Como quem evita um abismo 7 949 03/21/2026 - 23:30 Portuguese