Continuo sentado à varanda
Choro porque acabei de saber de como se
Morria sentado à varanda, enquanto um
Silêncio corre pelos rubros telhados fora e
Me devolve um abraço do tamanho do medo.
E se alguém no entanto me ligar é porque pensa
Que ainda existo junto ao telefone, onde um dia,
Sendo eu, aprendi que não sabia dizer quem era
Ou onde tinha me esquecido de guardar o nome.
Quem me dera saber de cor cada canto da casa e
Percorrê-la ao contrário, adormecer com vontade
Junto à porta e acordar com as duas distintas buzinas
E com o corpo fresco pendurado num saco à neblina.
Mas continuo sentado à varanda mesmo sabendo
Que apenas existo na minha saudade, que de tempos
A tempos reconheço no vago aroma de uma cevada
E numa foto que guardo no bolso das calças e de onde
Lamento ter saído.
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Comments
Re: Continuo sentado à varanda
João :-)
E se alguém no entanto me ligar é porque pensa
Que ainda existo junto ao telefone, onde um dia,
Sendo eu, aprendi que não sabia dizer quem era
Ou onde tinha me esquecido de guardar o nome.
AMO, LER OS TEUS POEMAS
AMO A LEVEZA DA TUA ALMA!!!
JAMAIS, DEIXAREI DE TE LER!!!
GRANDE, ABRAÇO DA AMIGA!
mm
Re: Continuo sentado à varanda
Choro porque acabei de saber de como se
Morria sentado à varanda, enquanto um
Silêncio corre pelos rubros telhados fora e
Me devolve um abraço do tamanho do medo.
Olá João
Todo o poema, é esplêndido. Em todos os momentos descritos há muito a reter, como se quisesses num só momento entrar e sair, e voltar a ser tudo o que foste e o que não pudeste ser, num dado momento
Gostei muito
Beijo
Matilde D'Ônix
Re: Continuo sentado à varanda
Me devolve um abraço do tamanho do medo.
Grandes versos!!!
Uma espera que nos mata!!!!
:-)
Re: Continuo sentado à varanda
Olá João,
Senti saudades tuas!
por vezes temos de nos perder para depois nos encontrar com forças redobradas, um sorriso nos lábios, e o poder de escrever como tu...palavras sentidas q expressão momento difíceis de ultrapassar mas, ultrapassáveis só temos de acreditar q conseguimos:)
Beijinhos
I
Re: Continuo sentado à varanda
A tua escrita tem sempre uma particularidade estranha,
emociona-me.
Quantas vezes ressuscitamos para morrer de novo?
Um poema tocante com a marca indelével da tua
sensibilidade.
Beijo
Vóny Ferreira
Re: Continuo sentado à varanda
"Que apenas existo na minha saudade, que de tempos
A tempos reconheço no vago aroma de uma cevada
E numa foto que guardo no bolso das calças e de onde
Lamento ter saído."
Adorei, adoro a tua originalidade e estética na escrita.
És fantástico.
Grande abraço.
Adoro ler-te.
Re: Continuo sentado à varanda
A CERTA ALTURA TODOS NOS PERDEMOS DE NÓS...ESQUECEMO-NOS DE QUEM SOMOS...PERDEMO-NOS NUMA VIDA QUE NÃO FOI A QUE SONHÁMOS. E TODOS NÓS UM DIA PARAMOS Á ESPERA DE SABER ONDE ESTÁ ESSE EU DE QUE TEMOS SAUDADES E QUEREMOS DE VOLTA.
ENCONTRAMO-NOS QUANDO FINALMENTE DESCOBRIMOS QUE NÃO NOS PERDEMOS...APENAS ERRÁMOS O CAMINHO E ANDÁMOS A VAGUEAR POR AÍ...