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O nume espetando você vai
em escrita automática,
mas a inspiração cata milho,
datilógrafa sem prática.

Você quer porque quer manter
o controle a qualquer custo –
más notícias, Sr. Capitão!
Nenhum de nós aportará.
Morreremos em alto mar.
Seremos comida de sobrevivente.
Alguém comerá mais carne –
esse sofrerá mais tempo.
E terá que morrer sozinho.
E (last but not least)
acabo de matar o conhaque. Ah Há Há!

Teus demônios não têm cura conhecida –
nossa medicina ainda é muito atrasada.
Se cura cobra, se mata cobra –
e ainda vai no velório
tomar café e comer
biscoito de água e sal.

Teu perfeccionismo te faz
detestar tudo o que você faz –
você detesta esse perfeccionismo.

Você é uma pessoa calma –
até que te irritem.
Tão insuportável que não se agüenta –
você odeia o próximo
tanto quanto a si mesmo
ou esse é um pário duro?

Teu único hábito diurno é dormir.
Precisar beber para sair de casa é dose;
precisar beber para ficar em casa é litro!
O molho de chaves você aperta de amuleto –
tem medo de andar sem muleta?

Festas e outras infestações
te dão nos ossos que nem cupim,
te dão nos sinos que nem barulho brabo.
Você olha pra trás e fica assombrado
com a tua própria sombra –
pudera, esses holofotes a fazem
muito maior que você…
Quanto mais te iluminam, mais te cegam.
Você fica tão grande que não cabe em si…

Olha para os lados e não vê corrimão;
olha pra frente e não vê
nem fantasma de uma chance –
não vê que fantasmas são invisíveis?
O PIOR CEGO É AQUELE QUE VÊ –
rifle em cabeça de trégua.
Você tá é procurando chifre em cabeça de corno!

O peso da responsabilidade
cai nas tuas costas e você nem sacoleja,
só arqueia as pernas e bufa
que nem um tamanduá-bandeira –
toma uma dose e já tá pronto pra outra.
Doente de responsável, sim,
doente de responsável –
mas quanta responsabilidade será necessária
para mascarar tamanha incompetência?

Você se põe mestre na Lógica Formal –
mas sem nenhum conteúdo…
Se arvora Doutor em Didática:
sabe ensinar qualquer coisa a qualquer um –
que pena não saber mais nada…
Meta esse bônus bem na soma do seu ônus!

Não consegue dormir de preocupação,
nem acordar desse pesadelo.
Noites em claro ninando demônios.
Esse desespero é que você apelida de coragem?
Tanta covardia – chama de resignação?
Olha que o fogo pode te pegar…

Você não sabe se ouve ou se olvida,
se vive ou se duvida,
se forte, se fracasso,
vitória incurável de todas as derrotas.
Tropeça na condição humana,
mas ainda tenta manter um passo adiante.
Assassina no aceso do acesso,
a sangue quente mesmo,
no cru da crueldade –
mas aí chafurda
na lama dos teus lamentos…

A geografia da tua calvície
grassa sem graça e silenciosa
que nem um tumor,
teu miocárdio pendula astável e triste.
Aí você pensa: exagero –
só porque meu pente
tá ficando cada vez mais inútil?
Desencana:
na vida real não existe hipérbole –
julgar seus próprios problemas
os maiores do mundo
é um impulso natural
de autopreservação.

Agora segue o seguinte:
as conseqüências das tuas inconseqüências.
Mais adiante veremos o lise dos teus deslizes.
Você esperou a vida inteira pela Vida
sem ver que nessa espera
é que você a jogava fora.
Não chore a lágrima derramada:
não há pranto perdido, só amarguras ganhas.

Sinto muito, meu amor, mas sinto muito pouco.
Onde você é pesadelo, eu sou vigília.
Sou o bequadro dos teus bemóis!

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Sunday, December 20, 2009 - 04:37

Ministério da Poesia :

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