AGUARELAS EM DESMAIO


Lágrimas com perfume de ilusões
entornadas sobre o ventre da sombra.

Ceara de corpos em beijo tosco,
profano odor da manhã das palavras distorcidas.
Reboliço de poesia, desejos rendilhados de lua cheia.

Sol de quem vê longe o pranto,
rebates de talvez em desespero, doçura morta.
Instante sórdido, colinas de regressos sem de onde.

Aconchego de falas pelo ar nocturno.
Areias somadas nas entrelinhas da pele.
Olhos de amor, escombros de água decomposta.

Espaço infinito, caudal que não existe.
Luar difuso num galho de Outono, tristonho.

Escrevo vergastadas de solidão
num papel esticado até mais não no meu rosto.

Tumulto apogeu
de ânsia tombando exausta nos olhos.
Travos de saudade, mortuário silêncio.

Ritmo de marfim incerto,
aguarelas em desmaio de nada sei.
Verbo insípido, vento que se esvai insano
em mãos desenhadas velório na orla da escuridão.

Escravo verso, oculto na maresia
que dorme num palácio feito de lábios sós.
Flor tornada mar, casulo eterno aos ombros do poeta.

Ruma à voz a seiva irrequieta
dos pátios da minha alma, escarpa viva.
Derrocado regato, sentidos de quem nada sente.
Procura desmedida, alagada de ânforas cavernosas.

Do caminho cego,
trago a luz em labareda de sede
onde albergo a distância num poema retalhado.
Incompleto, invento o tempo por onde a noite foge.

Sirvo de choro à madrugada,
perdida nas pedras do que eu era.
Estrelas são cálices vazios, espancados
outeiros onde a morte treme as suas preces.

 

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Domingo, Mayo 8, 2011 - 00:09

Poesia :

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Henrique

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"Ritmo de marfim

"Ritmo de marfim incerto,
aguarelas em desmaio de nada sei.
Verbo insípido, vento que se esvai insano
em mãos desenhadas velório na orla da escuridão."

e do silêncio da noite surgem os aplausos.

 

 

Maria

 

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Um arrasto de voz

Um arrasto de voz esbatida,

Senti uma cor diluir-se...

Parabéns e obrigado pelo presente desta leitura.

Abraço.

RR

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