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Caminho Incerto*

O meu pensamento parou ao olhar-te deitado numa cama de hospital, não te mexes e permaneces de olhos fechados como se estivesses num sono demasiado profundo para acordares com todo o burburinho presente à tua volta. O medo de te perder aumenta constantemente e está demasiado presente, na verdade não sei como lidar com ele, talvez o facto de estares inconsciente me faça temer ainda mais por ti, aliás, por nós, porque sem ti o meu Mundo desaparece simplesmente.
As horas não passam, os minutos teimam em demorar e os segundos são demasiado longos sem a tua voz e o teu sorriso. Não existem palavras para descrever o que estou a sentir neste momento, não sei quando vais acordar desse maldito coma que persiste e tenta acabar contigo, talvez connosco, estou tão assustada meu amor. Sabes quando o meu telemóvel tocou na Terça-Feira e vi que era um número desconhecido, pressenti que se estava a passar algo, mas preferi pensar que era apenas uma brincadeira tua. Infelizmente quando do outro lado me disseram: “ ele foi internado de urgência…”, entrei completamente em choque, senti o meu Mundo tremer por todos os lados. Em poucos segundos revivi na minha cabeça as pequenas imagens do passado mês de Maio. Sempre tive imenso de perder as pessoas de quem mais gosto na vida.
Lembras-te de me dizeres que Lisboa estava demasiado fria quando eu não estava presente? Hoje de manhã quando vinha para o hospital percebi que realmente tens razão, faltas cá tu para aqueceres a cidade onde um dia me disseste que eu era a única pessoa que te conseguia fazer sorrir, mesmo quando não tinhas razão para o fazer.
Olhar para ti através de um vidro, não sentir a tua respiração e permanecer num hospital, têm sido as piores coisas que tenho passado ao longo deste pequeno dia de agonia. Confesso que quando entrei ontem no teu quarto senti toda aquela paz que sempre me transmitiste ao longo destes 4 meses, mas tenho medo que essa paz desapareça com o passar dos dias enormes que se aproximam. Senti-me tão aliviada quando no momento da despedida te dei aquele beijo na face, és tão doce mesmo enquanto dormes por tempo indeterminado. És o meu campeão, sabias?
São apenas sete horas de uma tarde, de um dia demasiado longo para mim, estou sentada a olhar para ti, não sei se me ouves, mas adorava que me ouvisses, porque preciso de ti, não do teu silêncio demorado, pareces-me tão sereno hoje. As pequenas gotas de soro vão caindo, o barulho delas torna-se ensurdecedor e insuportável, sinto-me tão fraca sem a tua voz, tão vazia e incorpórea ao mesmo tempo.
Quando acordares gostava que lesses isto e que soubesses que estive ao teu lado durante todos estes dias, mesmo quando a esperança morria na minha alma, mesmo quando meio Mundo me dizia que irias demorar muito tempo a acordar, tentei ser forte por ti e por nós. Sei que tudo isto não passa de um pesadelo que vai acabar em breve. Não desapareças agora por favor.
As lágrimas teimam em correr-me pelo rosto abaixo, eu sei que não gostas que eu chore, mas sinto-me completamente perdida sem os teus braços para me proteger, vazia por não sentir a tua respiração ao meu lado e sozinha no Mundo porque te sinto distante demais. Será que tens força para isto? Prometes-me que não me largas desta forma?
Tenho imenso orgulho em ti.
Ps: Continuarei a usar a tua pulseira até ao fim dos meus dias. Tenho saudades tuas.
Amo-te…
Um beijo:
Cláudia
(Obrigada a todos aqueles que têm estado ao meu lado neste momento complicado...)

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sábado, janeiro 1, 2011 - 17:01

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lau_almeida

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