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Dias de Azar XIII

Renato responde-lhe:
- Eu conto-te à hora de almoço, porque quando chegar à aula já estou atrasado e não quero levar nenhum sermão do prof. Pode ser? – Marisa sorri-lhe, já sabia o que tinha ao seu lado. Enquanto Renato caminhava rapidamente em direcção ao edifício onde teria aulas, Marisa lembrava-se dos momentos que passou em Viseu. Renato sempre fora distraído, adormecia várias vezes, e provocava quase sempre um enorme burburinho ao chegar à faculdade.
Marisa sorria, todos os seus colegas, olhavam-na de lado, perguntando o porquê daquele sorriso de felicidade, até que uma rapariga se chega a ela:
- Ainda não me apresentei, pois não? – Marisa olha para ela, uma rapariga alta, de olhos castanhos e cabelos bastante encaracolados, tinha a sensação que já a tinha visto nas aulas de Paradigmas da Programação, mas não tinha a certeza, quase sempre existiam muitas pessoas naquela aula, era uma das cadeiras mais interessantes, não só porque se aplicava tudo aquilo que se estudava nas aulas, mas também porque trabalhar com programação java era algo aliciante para Marisa.
- Não! Bom eu já me apresentei, mas… podes não ter estado na aula em que eu cheguei, chamo-me Marisa Soares ou Oliveira como preferires…- a rapariga não a deixou terminar:
- Ah…és tu a miúda que veio transferida de Viseu, que esteve doente e que só agora é que pode regressar à faculdade? – Marisa mexeu a cabeça como dizendo que sim. Se começasse a falar dos últimos meses, iria de certeza relembrar coisas que não queria, iria sentir-se mal e não conseguiria concentrar-se nas aulas.
- Sim sou eu mesma! – sorriu.
- Bom, eu sou a Leonor, muito prazer! Não estava na aula em que vieste, mas o André contou-me tudo. – Marisa estava intrigada:
- Desculpa a pergunta, mas quem é o André? – Leonor sorriu. No meio de um curso onde a maioria dos alunos é do sexo masculino, Marisa nunca conseguiria saber o nome de todos eles. Leonor riu-se:
- Aquele rapaz lá ao fundo, de cabelo aos caracóis. É meu namorado! Não te preocupes, nos primeiros tempos também não sabia quem eram as pessoas, ainda hoje não sei o nome de todos… com o tempo saberás quem são as pessoas e talvez encontres aqui namorado! – sorriu-lhe, Marisa ria-se, era obvio que André não tinha contado tudo a Leonor:
- Namorado? Não obrigado!
- Não? Porquê?
- O André não te contou tudo aquilo que eu disse na minha apresentação pois não? – Leonor olhava-a perplexamente, não estava a perceber nada, era como se lhe faltasse a peça chave de um puzzle:
- Não sei, mas porquê? – Marisa ria-se cada vez mais, sentia-se extremamente bem, por momentos já não se lembrava da existência de Lia:
- Bom, eu sou casada! – Leonor olhava-a fixamente, nunca imaginaria que uma rapariga daquelas fosse casada, tinha uma aparência de menina de 17 anos, nunca à primeira vista poderia ser casada.
- Estás a brincar? Nunca pensaria que fosses casada. – Marisa mostra-lhe a aliança de casamento, uma aliança extremamente simples, bonita, a com algumas pedrinhas.
- Podes tira-la para eu ver? – Marisa sorriu, tirou a aliança do dedo:
“ forever Renato 7-8-2009 ”
Leonor estava boquiaberta. O professor chega entretanto, abre a porta do anfiteatro, Marisa olha para todos os lados procurando João, mas sem sucesso. Sentou-se no sítio do costume, olhava para a porta aflita, não conseguia estar no meio de um anfiteatro sem conhecer quase ninguém. Leonor estava com o namorado na fila à sua frente, não iria mudar de sítio, não gostava de acompanhar pombinhos, sentia-se completamente a mais, aliás não gostava quando em Viseu, tinham a sala cheia de gente e queria estar à vontade com Renato. Nunca mais o via entrar, por isso tomou a iniciativa de lhe mandar uma mensagem:
“ Não vens à aula?” – João responde-lhe:
“ Não estou lá muito bem-disposto! Avisa o stôr que vou já para aula…” – Marisa responde:
“ Se precisares de qualquer coisa diz! Eu aviso o stôr está descansado! As melhoras” – Avisou o professor do que se estava a passar, este disse-lhe que não havia problema. Abriu o seu caderno, Renato deixara-lhe uma pequena mensagem:
“ Era um dia de Setembro de 2006, entrei no transporte público como todos os dias. Olhei à minha volta, não era meu costume, mas naquele dia algo me dizia para o fazer, vi uma cara que nunca tinha visto por ali, era bonita e tinha um sorriso fora do normal, lembro-me de ter pensado exactamente isto. Habituei-me a ver-te sentada sempre no mesmo sítio. Era engraçado que mesmo sem nunca te ter falado, me parecias ser fantástica, comentei isso tantas vezes com o Tiago, ele mandava-me te juízo, porque tinha namorada. Não lhe ligava sabes? Aquilo era muito mais forte que eu. Quando naquela Quarta-feira no último bloco da manhã te sentiste mal e te ajudei, e me disseste com uma voz fraquinha: chamo-me Marisa e tu? Fiquei convencido que eras sem duvida diferente de todos os outros. Respondi-te Renato, sorriste. Levei-te até à sala de primeiros socorros ao colo, abandonei-te sem olhar para atrás. Hoje confesso-te que não parei de pensar em ti o resto do tempo. Não estava apaixonado por ti, mas havia qualquer coisa sabes? Às vezes sentimos coisas que nunca sabemos explicar e isso aconteceu-me naquele dia. Abandonei a sala de aula e segui para o autocarro, sentei-me com o Tiago, esperei até que passasses por lá, quando te vi e te perguntei se estavas melhor, olhaste-me e com convicção disseste que sim, sentia a tua voz entrar-me rapidamente nos ouvidos e no coração. Ao longo dos tempos construímos uma amizade, com alguns percalços, naquela altura não sabia entender-te, talvez porque nunca tenha passado por todos os maus momentos que passaste, isso tornou-te forte, eu sinto isso em cada passo que dás, em cada palavra que dizes, em cada decisão que tomas. Com o decorrer do tempo e obviamente com as situações que foram acontecendo na minha vida, percebi que serias sempre a única pessoa que estaria do meu lado de alma e coração, percebi-o tarde demais talvez. Comecei a aproximar-me de ti devagar, muito devagar, eras muito melhor do que aquilo que eu pensava, pelo menos entendias-me e sabias sempre o que me dizer. Acabei por ficar apaixonado por ti, sentia-me estranho, nunca na minha vida pensara poder dizer isto, mas hoje porque te tenho ao meu lado, sei que o posso dizer com convicção. Nunca me esquecerei naquelas noites frias onde tu te enfiavas na minha cama e me levavas a conhecer cada recanto do teu corpo. Obrigada por fazeres parte da minha vida.
Agora acorda e presta atenção à aula, senão vais p’ra rua”
Marisa sorria, após 8 minutos de distracção prestava finalmente atenção à aula. Leonor vira-se para trás:
- Que sorriso bonito! Que se passa rapariga?
- Nada de especial, simplesmente sinto-me feliz! Podes-me emprestar os teus apontamentos?
- Claro, sempre que precisares de qualquer coisa não hesites. Vou escrever aqui no canto da folha o meu número de telemóvel para quando precisares de qualquer coisa seja a que hora for, estou sempre disponível. Entretanto o rapaz que estava ao seu lado voltasse também para trás, Leonor olha para ele:
- André apresento-te oficialmente a Marisa! – Marisa sentia-se bem naquele ambiente, até ali todos os colegas que conhecera era extremamente simpáticos e prestáveis, isso agradava-lhe, já que perdera todo o 1º semestre e provavelmente iria precisar de algumas bases dele.
Entretanto enquanto o professor escrevia no quadro uma lista enorme de livros que teriam que consultar para realizar um trabalho prático em grupos, Leonor e Marisa conversavam. Foram interrompidas por alguém a bater á porta, ambas olharam para a porta:
- Entre por favor! – o professor daquela cadeira apesar de bastante exigente, era bastante compreensivo. Não era nada igual aos milhares de professores universitários que passam pelos alunos e fingem que não os conhecem ou que não explicam nada nas aulas.
- Desculpe stôr Gaspar! Senti-me indisposto e fui até à enfermaria. – dr. Gaspar, era um dos professores mais antigos que leccionavam naquela faculdade. Estrutura media/alta, cabelo grisalho e uns óculos que se destacavam dos, dos restantes professores. Este era casado com uma outra professora da faculdade, Gabriela, esta leccionava química na faculdade, era professora de Renato. Marisa recordava-se dela quando via Gaspar, Renato falava bastantes vezes nela, era uma óptima professora, e sabia compreender os alunos:
- Não tem mal meu filho! Está melhor?
- Sim, estou! Obrigado pela preocupação e desculpe o atraso… - Gaspar não o deixa terminar:
- Ora essa, não se estava a sentir bem! Para se estudar bem é necessário corpo e mente sã. Não se preocupe com o atraso, peça aos seus colegas os apontamentos e preste atenção ao que vou explicar de seguida. Se não entender alguma coisa, não hesite em colocar o dedo no ar, terei todo o prazer em explicar-lhe, o mesmo acontecendo com os restantes colegas, combinado? – uma espécie de coro respondeu:
- OK! – a aula continuou calma, não se ouvia qualquer tipo de barulho, o que ajudava bastante na organização de um bom trabalho. O grupo constituído por Marisa foi aquele que colocou mais dúvidas quanto a forma de execução do trabalho, todos estavam ali para obter boas notas, não passava pela cabeça de qualquer um deles tirar menos que 15 naquele trabalho. Marisa não resistiu a mandar uma mensagem a Renato:

“ Obrigada pela mensagem que me deixaste no caderno. Não sei como te compensar por aquelas palavras tão maravilhosas. A cada dia que passa mais conquistas o meu coração, sabes? É tão bom saber que estás ao meu lado todos os dias e que me amas. Pensei que poderíamos ir à Serra da Estrela este fim-de-semana com a Carina e com o Ricardo, que dizes?
Amo-te” – enquanto esperava a resposta de Renato, brincava com a aliança, rabiscava a última página do caderno e ia falando com Leonor.

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quinta-feira, agosto 12, 2010 - 12:20

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lau_almeida

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Re: Dias de Azar XIII

Como já o disse, a gostar do Renato!

A historia segue flúida...

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Re: Dias de Azar XIII

O Renato é a personagem favorita de muita gente, apesar de ainda não ter percebido muito bem porquê!
Obrigada :)

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