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Dias de Azar XVII

Chegavam finalmente ao IPO, a ambulância para frente à porta de entrada, o enfermeiro que acompanhava Marisa diz a Renato:
- Entre e peça para falar com a doutora Cláudia! – Renato mexe a cabeça, olha para cima, numa enorme placa dizia: CLINICA DA CABEÇA E DO PESCOÇO, entrou chegou ao guiché:
- Boa tarde, gostava de falar com a doutora Cláudia Araújo. – a empregada administrativa fica a olhar para ele, começa a procura no computador o núme-ro de gabinete, liga para lá:
- Doutora Cláudia, tenho aqui um rapaz que quer falar consigo, posso deixa-lo entrar? – apesar de ter recebido um telefonema de Ana a avisa-la que iria ter uma nova paciente, Cláudia estava concentradíssima nos papéis que tinha à sua frente, daí nunca se ter lembrado de Renato.
- Pode! – pensara um pouco, lembrara-se do apontamento que fizera na sua agenda. A empregada desliga o telefone, mexia ainda no computador, passa-dos poucos minutos diz:
- Consultório 3, pode entrar, ela está à sua espera. – Renato caminha rapida-mente em direcção à porta de vidro, o segurança abre-lha:
- Faça favor. – Renato entrou, na sua mão levava a mala de Marisa, pesada pensava ele, mas todos os medicamentos estavam lá. Olhava para as portas, quando chega ao gabinete 3, uma placa de alumínio reluzente dizia: Cláudia Araújo (neurocirurgia), Renato bate a porta, de lá de dentro uma voz grave:
- Entre. – Renato entrou, entendeu-lhe a mão:
- Boa tarde, a que devo exactamente a sua visita?
- Bom, à 8 meses a minha esposa foi internada no hospital de Viseu com um tumor na cabeça… - Cláudia não o deixa terminar:
- A Ana tinha-me falado desse caso, desculpe. Hoje o dia está a ser terrível, um paciente meu morreu esta manhã e ainda estou a tratar de uma papelada para a família. – Renato olhou-a:
- Não há problema, tem muito trabalho, é compreensível!
- Mas diga-me, o que se passou hoje? A Ana não teve tempo para me explicar tudo. – Renato não tinha conhecimento de tudo o que acontecera:
- Não tenho conhecimento de tudo, apenas sei que ela estava numa aula e desmaiou, acordou várias vezes, mas acabava sempre por desfalecer nova-mente. Liguei à Ana e ela disse-me para lhe injectar um medicamento que ela trazia na carteira. – Cláudia apontava tudo aquilo que Renato lhe ia contando, apesar de ter alguma experiência, nunca tinha ouvido falar de um caso assim, interrompeu-o:
- Tem o nome desse medicamento aí?
- Tenho, tenho aqui todos os medicamentos que a Ana prescreveu antes de ela abandonar o hospital… - a médica não entendia uma coisa, como é que ela tinha abandonado o hospital se estava doente? Porque razão Ana lhe dera alta, se Marisa ainda não estava em condições. Pergunta a Renato:
- Mas porquê que a doutora Ana lhe deu alta médica? – Renato sabia que aquilo que iria dizer não tinha qualquer lógica:
- A Ana fez uns exames, e o tumor tinha desaparecido. Nem ela própria consegue explicar isso. – Cláudia olhava-o surpreendida, tentava controlar a vontade de rir, não era católica portanto não acreditava na existência de milagres:
- Está-me portanto a dizer que o tumor desapareceu miraculosamente? – Renato olha para ela, pensando: porque me pergunta isto? Chega à conclusão que Cláudia era uma daquelas pessoas que apenas acreditam na ciência, ou seja, não acreditam naquilo que não vêm:
- Sim.
- Ok! Esperemos pela Ana, segundo o que sei ela está quase a chegar. – dois minutos após esta observação de Cláudia, alguém bate à porta:
- Entre por favor! – Ana abre a porta, mal Cláudia a vê, levanta-se e corre até ela, abraçam-se. Conheceram-se em Londres e desde aí mantiveram o contacto. Juntas descobriram um dos maiores mistérios do cérebro humano:
- Olá Renato, como estás? – Renato levanta-se igualmente, cumprimenta-a:
- Olá Ana, estou bem e tu? – Ana sorriu e disse que estava bem. Sentou-se ao lado de Renato, explicou a Cláudia todos os passos do tratamento de Marisa e da miraculosa cura:
- Esqueci-me de te dizer Renato, já estive com a Marisa, e ela perguntou por ti. – Renato sorri, sabia que Ana era uma das muitas testemunhas do verdadeiro amor sentido por ambos. Saíram do consultório, Marisa encontrava-se na maca frente à porta, mal Renato sai, os olhos desta brilhavam. Renato chega-se à maca dá-lhe a mão, Marisa apertava-a com imensa força:
- Estás doente, mas estás cheia de força rapariga! – todos se riram com ela. Naquele dia provara uma vez mais que Renato era o seu príncipe encantado, e aquele conto de fadas só acabaria no fim dos seus dias.
- Há pessoas que me dão força sabes? – Renato olhou-a nos olhos, contem-plou-a.
Sentei-me numa cadeira ao fundo do corredor, observava a dedicação de um miúdo de 22 anos, que á um ano atrás era perfeitamente feliz e não tinha quaisquer problemas. Era feliz à sua maneira, vivia longe dos pais, mas tinha a sua namorada consigo, o que poderia pedir mais? Renato era um jovem nor-mal como tantos outros da sua idade, mas com uma diferença, fora obrigado a crescer à pressa, colocou Marisa à frente dos seus estudos. Talvez fosse o medo de uma vez mais o destino lhe roubar a pessoa que mais amava. Marisa era tudo na vida dele, era impossível não ver isso, nenhum rapaz da sua idade largaria uma das aulas mais importantes do seu curso para acompanhar a namorada ao hospital. Olhei-os descaradamente, senti as borboletas na barri-ga, o palpitar do coração de ambos e o calor da paixão invadir inesperadamente o meu corpo. Era uma visão surreal, aquele amor resistira a todos os Invernos rigorosos, aos Outonos de folhas caídas, às Primaveras incertas, e aos Verões quentes na rua, mas frios nos corações. Era bom vê-los.
- Vamos lá aos exames da praxe Marisa! Já sabes como as coisas funcionam! – Cláudia arrastava a maca para a frente, Renato larga a mão da esposa. Esta segue para uma sala ao fundo do corredor, com uma porta negra. Impenetrá-vel talvez.
Caminhava em direcção à porta de saída quando se lembra de Anne:
- A Anne, esqueci-me completamente! – liga aflito a David, diz-lhe que terá que ir á entrada da faculdade, porque Anne está quase a chegar:
- Eu vou lá buscá-la, tens é de me descrever a miúda!
- É alta, tipo 1.70m, cabelo castanho comprido provavelmente deve aparecer-te de óculos escuros, e vestida com qualquer coisa preta!
- Tá bem!...
- E mais um pormenor, ela fala francês, diverte-te puto!
- Estás a brincar?
-Não! Vá tenho que desligar! – Renato ria-se como uma criança, sabia perfei-tamente que David nunca se safaria a falar francês.
O telemóvel de Marisa toca, Renato tem a tentação de atende-lo, era Mariana:
- Marisa, o Renato deu-me com os pés. Estás bem? – Renato fica alarmado, mas responde:
- Não é a Marisa, é o Renato! –ouve-se um silêncio enorme do outro lado. Mariana percebera que falara demais. Sentia-se completamente envergonhada, não pensara na probabilidade de ser Renato a atender o telemóvel. Ao mesmo pensava porquê que Leonor o tinha ido chamar. A hipótese de Renato e Marisa namorarem tornava-se mais forte.
- Desculpa Renato!
- Porque ligaste para a Marisa? – Mariana tentava falar, mas não saia nada, até que decide ser o mais sincera possível:
- Estive a falar com ela sobre ti, nada mais! – Renato percebera finalmente o porquê da demora na casa de banho.
Sentou-se numa cadeira da longa sala da espera, tirou o telemóvel do bolso, procurou inces-santemente o número dos pais dela, quando o encontrou, respirou fundo, o seu coração batia rapidamente, sentia o ar a faltar-lhe. O telefone toca, toca e sem que Renato espere uma voz:
- Estou Renato! – cada vez se sentia com menos ar nos pulmões, parecia que o estavam a agarrar e a impedi-lo de respirar:
- A Marisa… desmaiou na faculdade e está no IPO! – Maria começa a gritar desesperadamente, não conseguia sequer Renato acabar a frase, Renato pedia-lhe calma, mas ela gritava cada vez mais. Talvez o nome IPO a estivesse a assustar verdadeiramente, o que não era de estranhar, o pai de Marisa, José entra na sala do telefone, vê a esposa naquele estado, tira-lhe o telefone, percebera que se falava em Marisa e que quem ligava era Renato:
- Rapaz, o que se passa?
- A Marisa desmaiou na faculdade e trouxeram-na para o IPO! Desculpem por avisar assim, mas não sabia como faze-lo. – desligou a chamada. José apesar de completamente alarmado e com medo de perder a sua filha, manteve a calma. Pediu à esposa que se vestisse para ir para o hospital com ele.
No hospital Renato ia mantendo a cabeça ocupada mandando dezenas de mensagens. A porta de entrada da clínica abre-se de forma barulhenta, Renato levanta a cabeça do telemóvel, olha para a porta, Leonor e André entravam agora na enorme sala de espera. Leonor olhava a sua volta, aquele lugar assustava-a, enquanto caminhavam em direcção a Renato, Leonor ia apertando com toda a força que tinha a mão de André, este olhava-a, pedindo-lhe que não o magoasse mais. Chegam à beira de Renato, cumprimentam-se:
- Então como é que ela está? Já sabes alguma coisa? – a preocupação de Leonor estava estampada no seu rosto. Renato não queria preocupar ninguém, mas aquela demora, fazia-o crer o pior:
- Não, estou a ficar realmente preocupado! – apesar de ser uma pessoa extremamente calma e positiva, Leonor não conseguiria nunca acalma-lo, mesmo assim tenta:
- Não vamos pensar no pior, afinal ela é uma lutadora! Não a conheço à muito tempo, mas aquele sorriso e aquele brilho nos olhos sempre que fala em ti, faz-me crer que ela não te largará nunca na vida! – Renato sabia perfeitamente daquilo, mas tinha qualquer pressentimento que Marisa voltava a estar doente. Ana abre a porta devagar, ainda mais devagar dirige-se a eles:
- Renato, os exames estão… - fez um compasso de espera. A aflição daquela pausa estava estampada no rosto e nos olhos de Renato, as lágrimas inundavam-lhe os olhos. O que iria Ana dizer? Leonor apertava a mão a André, este rezava interiormente para que aquele desmaio fosse apenas um mero desmaio, causado por stress ou pelos medicamentos que todos os dias Marisa ingeria:
- Ana fala, estou aflito, e os pais dela estão a caminho! – mal acaba de dizer isto, entra Anne acompanhada por Mickael e David. Anne corre em direcção a Renato, abraça-se a ele:
- Outra vez o mesmo pesadelo? – Renato abraça-se também a ela, as lágrimas corriam-lhe pelo rosto abaixo. Ainda não sabia o que Ana tinha para contar, mas o seu coração estava em pedaços. Ana tinha todos os relatórios nos exames de Marisa na mão, sentia-se alarmada, mas descansada ao mesmo tempo.
 

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sexta-feira, setembro 10, 2010 - 16:14

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