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Um erro infantil talvez

Uma vez mais cai no erro de fugir dos problemas.
Marquei uma viagem para o único sítio onde me sinto realmente em paz, onde todas as pessoas que deram cabo de mim e aquelas que magoei sem intenção não podem chegar. Custou uma vez mais deixar tudo para trás e fazer de conta que não custou, prometi outra vez não voltar, acho que cheguei a um ponto que já não dá para estar paredes meias com recordações de um inicio de ano positivo e um mês trágico de Maio.
Á medida que caminho em direcção à sala de embarque, olho para trás vejo o meu melhor amigo, a olhar-me suavemente, ouço o eco da voz dele dizendo-me que esta fuga não me valerá de nada enquanto não resolver as coisas que deixei pendentes porque não tive coragem de assumir o meu erro, ou melhor, de pegar no telemóvel, ligar à pessoa em causa e resolver as coisas de forma adulta e sem medos. Quero voltar atrás, mas sinto-me a desistir… aceno-lhe com a mão, as lágrimas caiem pela face abaixo, ele tinha razão quando me dizia que não seriam os milhares de quilómetros que me fariam apagar algumas pessoas e consequentemente alguns problemas. Estarei a ser egoísta?
Sinto que estou a largar uma das únicas pessoas que me prometeu ficar sempre comigo, e é isso que por esta hora me está a assustar…é larga-lo fingindo que a última semana não significou nada. Querendo ou não significou, estar com ele aquelas 24 horas diárias durante 3 dias, fez-me perceber que milhares de vezes ele tem que fazer escolhas difíceis, largar as pessoas de quem mais gosta e lutar pelo que quer. Mas eu não consigo, julgo que ele ficou com medo por mim, acho que me viu desmoralizar e desistir daquilo que me trazia alguma felicidade.
Retomei a minha caminhada para a sala de embarque, quando voltei a olhar para trás, só existia o vazio, ele tinha desaparecido. Precisava novamente de olha-lo nos olhos e dizer o quanto ele tinha sido importante nos últimos dias. Queria voltar a abraça-lo, mas já era tarde demais.
Estava já na pista dos aviões, senti o telemóvel vibrar, abri a SMS: “não te esqueças que amanhã pode já ser tarde!” Sabia que ele tinha razão, mas acho que já nenhum esforço vale a pena, fui eu que destrui uma amizade inocentemente e agora é tarde para possíveis arrependimentos, sei que não será um mísero pedido de desculpas quando já passaram 2 semana que resolverá os meus erros. Mas viver dia-a-dia assim mata-me mais de depressa.
Limpei as lágrimas, desliguei o telemóvel, entrei no avião, sentei-me no lugar mais próximo da cabine das hospedeiras, já que estas terão que tomar conta de mim como se eu tivesse 5 anos e não soubesse comportar-me. É isso que me irrita. Encosto a cabeça atrás, fecho os olhos, sinto um arrepio de frio e uma angústia de morte, ouço o som do piano dele, o meu coração bate rapidamente, quero desistir… Posso?
Um dia voltarei a dar-te notícias, voltarei ao sítio de onde parti, a amar como amei, a viver das recordações que tenho contigo. Agora não, preciso de seguir o meu caminho sem ti, apesar de estares lá psiquicamente, aliás nunca sairás da minha vida enquanto eu for guardando recordações tuas. Sabes, descobri hoje que não existem príncipes encantados, existem pessoas normais como eu, que ocupam as nossas vidas, que nos dão cor, mas que um dia tem que desaparecer para aprendermos a viver. Se me perguntarem se continuo a ver-te nos meus sonhos, terei que responder que não, porque existe um tempo para os sonhos e outro para as realidades. E neste momento prefiro ter os pés bem assentes na terra.
Um dia perceberás que errar é humano, que existem situações que nos fazem tornamo-nos ridiculamente estúpidos e esquecermos quem esteve do nosso lado, aprenderás que existem momentos na vida em que quebras regras é permitido e que o medo de perder as pessoas por vezes faz-nos ser frios e afastar as pessoas de qualquer maneira.
Não é até sempre, é até logo…
África do Sul, 29 de Junho de 2010

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quinta-feira, agosto 5, 2010 - 19:16

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lau_almeida

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Comentários

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Re: Um erro infantil talvez

Numa carta bem estruturada divagas sobre ti e sobre o destino, abordando o conceito da expectativa e dos sonhos.
Não há principes encantados...

Gostei

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Re: Um erro infantil talvez

Obrigada :)

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