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Poema do corpo cansado
Tens o meu seio languido, que te entrego deliberadamente para que nele possas passar a tua língua: mero desfolhante que me corta, e a tantas, com o muco frívolo e concupiscente das veleidades sexuais; pano encardido que se arrasta por um chão que não estivesse para limpar, mas limpa, movendo o seu lodo por cada bordão de piso onde o negrume agora ficara, tal uma poça na qual se tivesse juntado toda a sujeira. Podes me olhar com estes olhos carnívoros, essas bolas em esfinge das quais se é impossível não se admirar com tamanha falsidade. Teus olhos curvos, como os do menino que fora deixado à meia-noite numa esquina, vêem através do tecido o ponto no qual se esconde na mulher a conquista da hombridade. Conquista o meu corpo, não percas tempo a procurar pela minha alma; talvez não a encontres, quiçá não tenhas uma. Prefiro a luta, corpo contra corpo, num gládio lancinante onde o amor parece tamponar à raiva, mas não tampona, pois tudo é bruto e encontra-se na tristeza dos órgãos frios o deleite imensurável de ter-se chegado ao estado mais sublime da catarse. Fiquemos aqui, meros deuses profanos de uma moral que nos consterna, sob os lençóis vermelhos onde as virgens perdem a flor, num esquecimento reprovável por ser tão indigesto aos corações delicados, num abatimento preguiçoso por ser tão desdenhável a arte dos corpos que se enlaçam no altar do amor de vidro. Não tenhas medo, entre as minhas pernas jaz a dádiva que me possibilita procrastinar o mistério da existência, quando o mote de carne perde o verde e vem à tona a mácula. Fitemos este movimentar de vidas, vomitemos as intempéries estomacais intocáveis. Ah, este corpo me cansa... Ansiar-te é a minha cobardia.
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