Trópicos utópicos

Calor de verão me atormenta
por vezes com brisa me refresca
aguardo esse momento, na rede se possível
num pendular àquele vento.
Suor que me gruda a camisa
sem paciência espero àquela brisa.
Refresco natural, pois nem precisa o ser
me sustenta também, o do teto,
da parede, do chão, da hélice, do gira...
Água gelada mata minha sede
loira suada, minha alma
daqui a uma hora, um instante,
me cede outo gole, outra gelada.
Quem não tem piscina se refresca no mar
quem não tem mar se refresca na piscina
quem não os tem, nada no riacho,
ou repousa na sombra de uma mangueira
quem não acha se conforma com goteira
quem nada tem, arde em rachadura
num pesar de vida dura.
Por aqui abaixo do grau zero
onde tudo é mais perto do Sol,
onde o ponteiro do mercúrio explode em graus muitos
comum é essa vida dura.
Basta latidude rimar com político sem atitude
essa vida dura se arrasta em longitude, amplitude.
Sem poder regar o Abaporu,
me refresco com mangueira e piscina de meu quintal,
deixo as outras obras de Tarsila do Amaral,
como Cartão postal, penduradas no varal.

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Saturday, April 17, 2010 - 17:14

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Felipe_oceano

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