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Sopro

Sopro húmido do vento
Luz que se espalha como gás
Sobre as árvores nuas
Prostradas na rua dentro de um círculo

Lá na imensidão da noite
No topo do céu escuro
Uma estrela solitária
Com um brilho tão forte
Embebeda-se dentro de uma concha
Que ela própria criou

O tempo passa
Com ele leva fechado numa mala
Lembranças semelhantes
A nada
Tristes

Mórbida deslocação da alma
Nem o céu, nem noite, ou tempo
Te vale
Serás sempre um nojo
Dentro de quem te possui
Não importa a beleza da teia
Em que agarras os pobres infelizes
Que desejam fornicar o teu corpo

Esta irregular incerteza
De ver mais além
O contexto onde não estão
Os líricos poetas…
(qualquer um pode ser poeta,
o difícil é acreditar,
nos versos que se escreve)

Basta
Fume-mos um cigarro de néon
Beba-se
Enquanto a cidade nos abraça
Esboçando um sorriso de malícia
Sobre o nosso ombro
 

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quarta-feira, março 30, 2011 - 17:20
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