Tesoureiros da luz,

Tesoureiros da luz,
Tenho alma de cão pastor cego,
Sinto nas galáxias o que não vejo
Cá baixo, caminho na certeza de
Voltar nunca o mesmo que fui,
Faz tempo, o futuro foi lá trás,
Sigo meus pés descalços, a alma
As estrelas e o espaço, tanto faz,
Formiga d'asa, onde possa voar,
Embarcar para as estrelas que sigo,
Pastor perseguindo velas, cego,
Queimando os dedos noutros
Universos loucos, menos paralelos,
Assim como um tesoureiro da luz,
Caminhando no breu pelos pontos
Que brilham, sinto pelo som os astros,
Pouso nos cotovelos os ombros,
Nas estepes o desafio, a orgia da luz
Aí percebo quanto sou frágil, caniço
Da luz que sai pela voz e apenas,
Se é chama, é orgânica na lucidez,
Ela nos diz se a podemos desfiar
Ou não fiar, dependendo do ouro,
Da densidade frágil do fio, da voz o ar
E do modo como sai da boca, o cosmos
Da confiança e no tear próximo,
O pouso e os cabelos de Berenice...
Da janela os reconheço, cada transeunte
Pelo brilho que apresenta e usa,
Como que se germinassem espelhos
Na calçada, reflectidos na minha
Face a pontos ouro de luz, fina Ursa Menor
Ou grossa, difusa ou orgia em chama,
Tenha ou não eu alma de pastor cego
Certo é ter de rinoceronte ego, escaravelho
Sinto nas galáxias o que não vejo, pego
O facho e caminho para um Sol poente vizinho,
O meu travesseiro de luz.
Jorge Santos 04/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
Submited by
Poesia :
- Login to post comments
- 27369 reads
Add comment
other contents of Joel
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/General | Nunca tive facilidade de agradecer nad'a ninguém | 37 | 95.273 | 01/21/2026 - 20:14 | Portuguese | |
| Poesia/General | Tesoureiros da luz, | 678 | 27.369 | 01/20/2026 - 16:14 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | A sismologia nos símios | 3 | 6.671 | 01/20/2026 - 09:40 | Portuguese | |
| Poesia/General | Cumpro com rigor a derrota | 4 | 6.899 | 01/20/2026 - 09:38 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Cuido que não sei, | 180 | 201.061 | 01/18/2026 - 12:47 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Minha alma é um lego | 512 | 85.180 | 01/18/2026 - 12:44 | Portuguese | |
| Poesia/General | - Papoila é nome de guerra - | 364 | 65.267 | 01/18/2026 - 12:42 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O mar que não tem a Lua ... | 289 | 223.906 | 01/12/2026 - 11:09 | Portuguese | |
| Poesia/General | A ilusão do Salmão ... | 545 | 302.955 | 01/12/2026 - 10:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Hino ao amanhã | 100 | 169.093 | 01/09/2026 - 10:04 | Portuguese | |
| Poesia/General | Da significação aos sonhos ... | 2 | 5.774 | 01/06/2026 - 09:17 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Pedra, tesoura ou papel..."Do que era certo" | 2 | 12.358 | 01/05/2026 - 09:52 | Portuguese | |
| Poesia/General | Deus Ex-Machina, “Anima Vili” ... | 13 | 7.979 | 01/04/2026 - 20:13 | Portuguese | |
| Poesia/General | leve | 25 | 7.915 | 01/04/2026 - 13:16 | Portuguese | |
| Poesia/General | Sou minha própria imagem, | 24 | 6.349 | 01/04/2026 - 13:15 | Portuguese | |
| Poesia/General | Feliz como poucos … | 23 | 5.145 | 01/04/2026 - 13:14 | Portuguese | |
| Poesia/General | A tenaz negação do eu, | 19 | 4.944 | 01/02/2026 - 20:33 | Portuguese | |
| Poesia/General | “Mea Culpa” | 31 | 3.853 | 01/02/2026 - 12:21 | Portuguese | |
| Poesia/General | Não entortem meu sorriso, | 20 | 6.369 | 01/02/2026 - 11:22 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Restolho Ardido… | 21 | 5.445 | 01/02/2026 - 11:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Incêndio é uma palavra galga | 15 | 3.968 | 01/02/2026 - 11:21 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Eis a Glande | 15 | 5.835 | 01/02/2026 - 11:20 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Do avesso | 25 | 3.796 | 12/31/2025 - 12:47 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | “Hannibal ad Portus” | 14 | 4.447 | 12/30/2025 - 10:06 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Doa a quem doa, o doer … | 67 | 4.918 | 12/30/2025 - 10:04 | Portuguese |






Comments
Tesoureiros da luz, Tenho
Tesoureiros da luz,
Tenho alma de cão pastor cego,
Sinto nas galáxias o que não vejo
Cá baixo, caminho na certeza de
Voltar nunca o mesmo que fui,
Faz tempo, o futuro foi lá trás,
Sigo meus pés descalços, a alma
As estrelas e o espaço, tanto faz,
Formiga d'asa, onde possa voar,
Embarcar para as estrelas que sigo,
Pastor perseguindo velas, cego,
Queimando os dedos noutros
Universos loucos, menos paralelos,
Assim como um tesoureiro da luz,
Caminhando no breu pelos pontos
Que brilham, sinto pelo som os astros,
Pouso nos cotovelos os ombros,
Nas estepes o desafio, a orgia da luz
Aí percebo quanto sou frágil, caniço
Da luz que sai pela voz e apenas,
Se é chama, é orgânica na lucidez,
Ela nos diz se a podemos desfiar
Ou não fiar, dependendo do ouro,
Da densidade frágil do fio, da voz o ar
E do modo como sai da boca, o cosmos
Da confiança e no tear próximo,
O pouso e os cabelos de Berenice...
Da janela os reconheço, cada transeunte
Pelo brilho que apresenta e usa,
Como que se germinassem espelhos
Na calçada, reflectidos na minha
Face a pontos ouro de luz, fina Ursa Menor
Ou grossa, difusa ou orgia em chama,
Tenha ou não eu alma de pastor cego
Certo é ter de rinoceronte ego, escaravelho
Sinto nas galáxias o que não vejo, pego
O facho e caminho para um Sol poente vizinho,
O meu travesseiro de luz.
Jorge Santos 04/2019
http://namastibetpoems.blogspot.com
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...
valorizemos quem escreve e
valorizemos quem escreve e sente e não banalidades sem sentido (como tanto e tantos nesta net) viva a escrita poética ...