DÓI O PALADAR DO PERDI-ME


Caminho disparate prévio,
reflexo opaco até ao fim das incertezas.

Desgasto os joelhos da voz
em calvários de tempo derrubado no esquecimento.

Iço desabafo viço,
grito acelerado por consensos
que fazem ponte de abismo em abismo.

Abro a alma a favor do vento,
desguedelhada dúvida dissipada nos meus extremos opostos.

Ab-rogo a soneto
que me faz ser ordinário,
alinhado ao infinito sem retorno.

Rascunho paredes absolvidas por loucura.

Murmúrio assobiado,
vociferado chão que me defende os olhos do claustro da morte.

Descrevo a luz que vibra em mim como um longe onde quero chegar.

Sou sombra desencaminhada do desistir.

As estrelas são a minha última ceia.

Escrevo páginas vazias,
poesias como camuflagem nas savanas do anoitecer.

A razão é uma fatia do quebranto
que jorra a madrugada sobre uma pedra que me sepulta no luar.

Sou a fogueira que me aquece,
a lembrança que me esquece saudade eterna.

Sou caverna onde me escondo da escuridão.

Jaz no desejo a palavra que nunca disse.

Sinto-me diário apagado,
prisioneiro de escritos idos
entre os momentos que não escolhi.

Afloro no meu olhar distâncias
por onde perdi o sentir do esmurro do destino na minha face.

Dói o paladar do perdi-me.
 

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Wednesday, March 23, 2011 - 00:40

Poesia :

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