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INSENSIBILIDADE




Insensibilidade

 

 

Podes chamar – me quadrado ou torpor,

Mas tenho o que tu não tens – amor,

Um sentimento que não foi comprado,

Nasceu comigo, foi – me legado,

Por quem me concebeu há muito tempo,

Que também tinha amor, não era vento,

Que passa depressa e não deixa nada,

Como tu, chegaste e partiste desapaixonada.

 

Mais vale só que mal acompanhado,

Assim diz o povo num seu ditado,

É verdadeiro, é uma inteira razão,

Não é lágrima sentida que cai no chão,

Como a tua que deixaste cair,

Sem nenhum sentimento sem nada sentir,

Na tua alma que tens sem saber,

Porque há muito tempo a deixaste morrer.

 

És pessoa mas não tens nada de humano,

És um ser insensível que já nasceu profano,

Não gosta de si próprio nem de ninguém,

Até não gosta da sua própria mãe,

Que certamente te deu amor e carinho,

Mas tu rejeitaste, achaste que era daninho,

Por isso agora és fria, nada tens para dar,

Nem sequer lágrimas para poderes chorar.

 

Não sabes sorrir mas ainda podes aprender,

Nunca é tarde para termos o nosso saber,

Pois sorrir e chorar, é de quem sabe amar,

E isso tu não sabes, nem sabes o que é adorar,

Até  qualquer coisa, como qualquer animal,

Podes crer que seres assim só te faz mal,

Tenho pena de ti que é um triste sentimento,

Que eu, podes crer, sinceramente lamento.

 

 

 

 

Tavira, 23 de Outubro de 2009 - Estêvão

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sábado, janeiro 5, 2013 - 13:48

Poesia :

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José Custódio Estêvão

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