Gritos

Grito rouco de loucura,
esvai-se qual espuma ressequida,
pela boca apagada por tantos beijos,
perdidos.
Já nem contemplo o ardor da aventura,
nem a entrega que ficou, sim, perdida,
nem todos os momentos, todos os ensejos,
que deixei lá longe em tempos idos.
Acordo aqui em suores de terror,
em cada momento de paz, vejo o passado,
em cada instante de dor, o que havia tido.
Aqui já sei, sou fantoche de um amor,
que se perdeu, porque já nasceu perdido.
sou a parte inútil do ser amado.
Eu cedi a ser maior, a ser perfeito e puro,
eu fui espinho cravado na sua paixão.
Tratei de ser feliz enquanto ela, não.
Fiz correr a vida para não chegar,
para não chegar a ser sequer o seu futuro.
Grito agora; Aqui louco. Louco de remorso,
saudade inconstante de seu terno abraço,
que adianta gritar agora, por dias que já nem são,
chorar lágrimas ácidas em seu dorso,
fazer atos de falsidade que nem faço,
clamar insano pela doçura de seu coração.
Resta-me gritar á noite que tudo escuta, tudo apraz,
revirar-me em lamentos ocôs de tristeza,
falta-me sua infinita graça de mulher.
Choro por perdida estar sua irreal beleza,
toda a entrega, toda a paixão que deixei de ver,
por me perder, enfim, em tudo aquilo, que no amor não se faz!
E por mais que os anos passem,
por tudo que faça e me dê satisfação,
continuo a sombra invisível de um homem que nem vi,
a pedra solitária atirada á perfeição.
A saudade faz crescer a dor de sentir que a perdi.
E os gritos que solto, ecoam a própria mágoa que fazem.
 

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Tuesday, February 22, 2011 - 17:54

Poesia :

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