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Quando Partiste

Ao ver-te, acalmou-se-me o pranto.
Tal como tantas vezes em vida o fizeste com a magia do teu afago.

Vestias a serenidade dos mortos.
E aos mortos,
pela sua serenidade,
chego a achá-los perfeitos.

Despidos de expressão,
desaparecidas as sobrancelhas cerradas da tempestade em fúria;
as lágrimas de uma primavera que parte;
o sorriso, essa breve brisa numa ribeira...
apagado enfim, o rasto de sonho indefinido...

O vazio tranquilo de uma linha simples e pura
que habita eterna o silêncio dos tempos
onde se apagam os sinais e a vida,
essa efémera luminescência de absoluto,
absorvida talvez,
na serenidade tranquila da perfeição intuída
que nos acompanha até ao fim.

E se depois do luto,
esse intimo suspiro desencantado,
ou choro infantil de criança perdida,
 te venero a memória,
encontro-te agora mais presente e mais poderosa(o) do que qualquer vivo.

Isto tudo porque,
ao olhar-te o corpo inerte e vazio,
nada mais vi do que um amontoado de carne despida de sentido.
Uma acabada mortalha onde não coube o teu ser,
que se aloja agora eterno, na memória que de ti se fez.
 

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quinta-feira, abril 7, 2011 - 18:47

Poesia :

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miguelmancellos

imagem de miguelmancellos
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Comentários

imagem de RICARDORODEIA

Intenso. Profundo. Parido

Intenso. Profundo.

Parido no amor e na dor.

Tenho pena de não ter podido ir à tua apresentação.

Um abraço.

imagem de Dionísio Dinis

"O vazio tranquilo de uma

"O vazio tranquilo de uma linha simples e pura
que habita eterna o silêncio dos tempos
onde se apagam os sinais e a vida,
essa efémera luminescência de absoluto,
absorvida talvez,
na serenidade tranquila da perfeição intuída
que nos acompanha até ao fim."

 

Pela parte acima citada, de fino recorte, e pelo poema inteiro, os meus sinceros aplausos.

 

Abraço mui fraterno

imagem de SuzeteBrainer

A excelência do teu poema com

A excelência do teu poema com a força das palavras que nos comovem com a dor da perda,o luto. Mas,ficamos com uma certeza: a memória que guarda a essência daquele que parte.

Abraço!

imagem de jrs

Triste, doído, a morte nos é

Triste, doído, a morte nos é inevitavel e embora todos sabemos disso nunca estamos preparados para ela.

Abraços fraternos.

imagem de Susan

Poema intenso , cheio da

Poema intenso , cheio da tristeza da partida 

essa que fica cravada na alma e na carnedo poeta ...

Sem dúvida dev eras comovente ....

"Só tu sabes o tamanho da tua dor "

Um beijo 

Susan

imagem de MarneDulinski

Quando Partiste

Linda despedida fúnebre!

isto tudo porque,
ao olhar-te o corpo inerte e vazio,
nada mais vi do que um amontoado de carne despida de sentido.
Uma acabada mortalha onde não coube o ter ser,
que se aloja agora eterno, na memória que de ti se fez.

Meus sentimentos lutuosos!

MarneDulinski
 

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