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Santa Apolónia ou Campanhã...

Os dias são comboios de carruagens cheias...
Circulam a todo o vapor deixando carvão
ao longo do chão que me calca, devagar...
Porque não posso deixar-me ficar para trás?
Ficar a ver a linha a partir sozinha
engatada nos carris?
Já me curei tantas vezes... Tantas...
Quantas cicatrizes me cabem no corpo?
Deus diz que sabe o que faz...
(É bem capaz de saber,
espero que saiba e se encha de raiva de me ver desistir...)
Cansei-me de sorrir...
O meu sorriso perdeu a viagem,
saiu da carruagem na estação anterior,
encheu-se de amor e partiu...
Hoje não tenho forças,
vou dormir a vontade num banco qualquer...
Talvez me possas despertar mais tarde,
quando a noite me trouxer e quiser descansar...
Não me apetece lutar mais,
o desgosto arde nos meus olhos...
Já não tenho idade para angustias,
são seculos que me acompanham nesta aprendizagem ingrata
que não se farta de se agarrar a mim...
Já me curei tantas vezes...Tantas...
Quantas vidas terei de aguentar ainda?
Não me consigo libertar do castigo de querer?
Mais uma viagem...
Mais um comboio...
Mais uma partida...

Inês Dunas
libris Scripta Est

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quinta-feira, abril 5, 2012 - 18:03

Poesia :

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Librisscriptaest

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Comentários

imagem de Jorge Humberto

Minha querida, amiga, Inês,

Minha querida, amiga, Inês,

congratulo-me por termo-nos conhecido, dando-me a oportunidade, de uma nova amizade e de assim vir também a conhecer, tua poesia, tua escrita. Santa-Apolónia, Campanhã, ah, quantas idas e voltas, já me ofereceram. E houve vezes que simplesmente fiquei parado, vendo os comboios partirem ou chegarem, engatados nos carris. Como dizes no teu delcioso poema, que é também uma bela dedicatória, a essas "casas" históricas. E porque não deixares-te para trás? Observares? (Teus olhos cansados) Parar de lutar, contra o que é tido por mais correcto, só porque há quem assim o diga - lançando-nos seu olhar reprovador, qual gumes de facas, se ousamos inverter os papeis? E depois deixares-te despertar mais tarde - e foste tu. Com imenso prazer te li e deixo estas minhas singelas palavras: sem algozes ou vis corvos, de uma nova inquisição.

Beijinhos mil
Jorge Humberto

imagem de Henrique

Não me apetece lutar mais,

Não me apetece lutar mais!

Ai não que não apetece!!! e MUITO.

Não me consigo libertar do castigo de querer? JÁ MAIS ME LIBERTAREI!!!

Mais tarde nos meus olhos estarei contente.

Bom poema... inspira.

Beijinho

Desculpa a demora.

;-)

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