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O abraço...

Abraçou-o, como se daquele abraço dependesse toda a sua vida, encaixando-o em si, obrigando-o a pertencer, como se existisse uma ficha invisível e pela primeira vez ficassem irremediavelmente ligados um ao outro...
Ele assustou-se, nunca tinha sentido aquele contacto, aquela entrega, aquela ligação, tentou empurra-la mas o corpo dela e o dele já se tinham confundido e agora não sabiam, não podiam, não queriam desligar-se, nunca mais...
Os corações tinham acertado o compasso num ritmo único. Quando existe este tipo de entrega é irrepetível, como se até o bater do coração passasse a ter direitos de autor e fosse impossível plagiar...
As íris diminuíram, porque a visão tornou-se introspectiva, naquele momento alcançavam dimensões paralelas e as suas almas imortais estavam frente a frente de braços esticados, a cima do corpo, de dedos entrelaçados a partilhar experiências milenares...Tantas encarnações q agora eram partilhadas em segundos...
Os cérebros latejavam de prazer, entre excesso de informação e uma paz eroticamente profunda... Os corpos tinham já perdido a conta do limite, falavam aquela língua invulgar da sensualidade, escrevendo mensagens subliminares em todos os milímetros da pele...
Perfumistas experientes, criando novas fragrâncias através do balançar dos corpos, agitados pela imortalidade, pelo amor e um prazer quase obsceno de tão completo...
Nasciam gotas de prazer, eram fontes e nunca se tinham dado conta, podiam saciar a sede um no outro, mas preferiam sentir as bocas secas e humedecer constantemente os lábios... Nunca seriam saciedade, preferiam ser a sede em si!

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terça-feira, janeiro 26, 2010 - 13:12

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Librisscriptaest

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Título: Moderador Prosa
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Comentários

imagem de jopeman

Re: O abraço...

as minhas irís adoram ler-te :-D

um amor que se apega "naquele abraço"

gostei imenso

bjos

imagem de AnaCoelho

Re: O abraço...

Fantástica descrisão de uma entrega em amor com envolvencia de paixão.

Beijos

imagem de ÔNIX

Re: O abraço...

"As íris diminuíram, porque a visão tornou-se introspectiva, naquele momento alcançavam dimensões paralelas e as suas almas imortais estavam frente a frente"

OLá Inês

Um texto que para mim seria considerado de amor apesar do erotismos presente. Uma forma de expressares os sentimentos de uma forma transcendente, em vivências múltiplas, e paralelas.

Gostei imenso

Beijo meu

Matilde D'Ônix

imagem de Mefistus

Re: O abraço...

Librisscriptaest ;
Incrivel como escreves. Tudo tem harmonia, sincronia...veludo.
Não cais em lugares comuns próprios do género, suavizas com laivos de mestria, a ironia do pensamento dele, e sepultas como verdade absoluta o devir do individuo:
" Nunca seriam saciedade, preferiam ser a sede em si"

Muito, muito bom!

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